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Muito prazer, meu nome é otário…

Dom Quixote

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d’água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
Aerodinâmica num tanque de guerra,
Vaidades que a terra um dia há de comer.
“Ás” de Espadas fora do baralho
Grandes negócios, pequeno empresário.

Muito prazer me chamam de otário
Por amor às causas perdidas.

Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

Tudo bem… Até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer… Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

-x-

Uma singela homenagem a todos aqueles “otários” que ainda persistem em lutar pelas causa “perdidas”. Se pensar como eu penso é ser otário, então… Muito prazer, meu nome é otário!

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Beija eu, Seja eu…

“Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos” (Romanos 12:16)

Pessoas que professam um mesmo credo, seja ele político, ideológico ou religioso, costumam enxergar o mundo por um prisma em comum, assim, é de se esperar que os cristãos, ou melhor, as pessoas que se dispuseram a seguir o exemplo e os ensinamentos de Cristo, vejam a vida através das lentes da cosmovisão cristã.

Eu aceito a afirmação supracitada como uma verdade simples e auto-evidente, mas também não acho inconcebível que duas pessoas que bebem de uma mesma fonte de fé cultivem pontos de vistas dissonantes.

Não me entendam mal, minha intenção não é relativizar a fé ou a doutrina cristã, eu creio que existem questões basilares, que se não forem bem aceitas, levam o indivíduo a viver uma religião descaracterizada e/ou pervertida, ao passo que, existem matérias que podem entrar em pauta sem que para isso alguém precise cometer um pecado ou incorrer em heresias.

Acredito que os cristãos da era apostólica tinham esta mesma compreensão, pois, celibatários viviam em paz com pessoas casadas (1 Co 7:1, Mt 8:14), vegetarianos comiam ao lado de carnívoros (Rm 14:6), abstêmios trocavam experiências com apreciadores de vinho, etc…

Assim sendo, lanço as seguintes indagações: Por acaso não é pertinente a um crente desenvolver senso crítico? Não é conveniente que um homem de fé tenha suas próprias opiniões?

Arrisco dizer que a réplica de grande parte dos atuais líderes cristãos para ambas as perguntas seria um sonoro NÃO!

Estes arroubos de autoritarismo não são desencadeados somente pelo receio de perder o controle sobre o rebanho, pois, existem fatores históricos e culturais que levam a maioria dos detentores do poder a agirem desta forma.

A igreja, assim como toda sociedade ocidental, foi fortemente influenciada pelo dualismo helênico de Platão, o que nos leva a enxergar quase todas as coisas em pares equivalentes e opostos: Preto e Branco, Fé e Razão, Sagrado e Mundano, etc…

Por causa disso, toda opinião contrária é automaticamente classificada como maligna. A consequencia imediata disto é o empobrecimento cultural e a instituição do obscurantismo e do conformismo como sinais de uma fé saudável.

Afinal, é possível viver integrado a uma comunidade e ainda assim manter a individualidade? Eu creio que sim, até porque, estas duas coisas não ocupam hemisférios distintos do meu cérebro. Mas a maioria dos cristãos insiste em ver a Igreja pela ótica fordista:

“O cliente pode ter um carro pintado com a cor que desejar, contanto que seja preto.” (Henry Ford)

ou seja:

“Nós te aceitamos da forma que você é, contanto que você passe a se vestir, falar e andar como nós”

Por fim, como integrante do bando das “ovelhas negras” (que fazem questão de permanecer no aprisco do Bom Pastor), reafirmo que não estou propondo a negociação do inegociável (aspectos fulcrais da fé), e sim, que todos ponham em prática o principio da alteridade, que é a capacidade ou qualidade de “ser” o outro, entender seus anseios e dores (seja eu), e ama-lo (beija eu) apesar deles.

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu…

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O louvor involuntário

“Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR.” (Salmos 150:6)

Louvor é antes de mais nada, uma expressão de gratidão e reconhecimento… Seja ela qual for! Assim, causa-me um certo desconforto ouvir alguém fazendo referência ao ato de louvar como um sinônimo de cantar. Esta pequena confusão terminológica nos conduz a um segundo ponto: A polarização “Musica do Mundo” vs “Musica Cristã”.

É curioso observar que as discussões acaloradas que hoje povoam muitos blogs e sites cristãos, não tinham espaço no meio da dita “igreja primitiva”! Não encontramos no relato bíblico neotestamentário nenhuma recomendação quanto a não consumir cultura “secular”, outrossim, vemos Paulo, que era bom conhecedor tanto da cultura judaica como da cultura greco-romana, não demonstrando nenhum pudor em citar poetas e escritores “mundanos” em seus escritos.

  • Paulo citou um verso usada em uma das peças do dramaturgo grego Menandro em 1 Co 15:33
  • O mesmo Paulo também fez claras referencias a poetas pagãos em At 17:28 e Tt 1:12

O que justifica a abstinência da boa música secular? De bons filmes seculares? De bons livros seculares? Da boa comida secular (Sim! Pois considero a culinária uma arte! E como eu creio que poucos judeus ortodoxos que só se alimentam de comida kosher certificada lerão este texto,  você provavelmente deve receber constante e alegremente este tipo de arte!).

O certo é que a criação por si só, em sua forma e função, nos fornece um testemunho vívido e belo da glória de Deus! O canto de uma ave não é entoado em nenhuma língua compreensível pela espécie humana, mas exalta o nome Daquele que é e que era e que há de vir, o farfalhar das folhas de uma árvore ao vento não formam palavras, mas celebram o Mestre de toda a criação!

E afinal qual é a fonte dos dotes artísticos? Da criatividade de Leonardo da Vinci, da poesia de Vinicius de Moraes, do virtuosismo de Yo-Yo Ma? Será que o Deus que nos equipou com inteligencia e sensibilidade permitiria que estes dons fossem utilizados para honrar ao diabo?

A grande verdade é que querendo ou não, quem produz a boa arte, bendiz ao Altíssimo! Portanto, mesmo ateus confessos como Nando Reis e Chico Buarque, ao comporem suas belas canções, elevam o nome dAquele que lhes concedeu talento.

O que é mais desconcertante é constatar que enquanto ateus louvam involuntariamente a Deus, nós cristãos, louvamos voluntariamente (e muitas vezes, voluntariosamente) a nós mesmos! As músicas de maior sucesso nos círculos evangélicos são as que dizem a Deus como Ele deve agir ou ainda aquelas que são verdadeiras “odes a minha vitória”!

Portanto, se algum dos meus leitores à esta altura ainda está receptivo aos meus concelhos, recomendo a todos bons livros, boa música, boa comida e os bons filmes, sejam eles cristãos ou não.

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E Se (Stênio Marcius)

A figueira não floresce
Não há fruto na videira
O produto da oliveira mente

Rios, campos não produzem
O curral está vazio
O aprisco está deserto

Tudo isso se passando e o profeta mesmo assim vai se alegrando em Deus

Mas e se fosse comigo
Pra quê mesmo que eu vivo
Onde está minha alegria?

E se a dor for minha sina
Será que ainda faço rima
Canto alegre a melodia?

E se eu perdesse tudo será que contudo me alegraria em Deus?

Eu quero ser, não quero ter
Eu quero crer, não quero ver

Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus!

Viver e só de Ti viver
Morrer ansioso por te ver
É minha oração
É assim que eu queria ser

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Canção do Espírito sem Pátria

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Porém o Espírito que aqui sopra

Assopra também lá!”

(Gonçalves Dias e João 3:8)

Eu admito que sinto um enorme desconforto, que beira ao asco, quando vejo pintado nos muros de uma instituição religiosa, que por usurpação de nome, diz-se igreja, a frase “a mão de deus está aqui”. As palavras estampadas ali, consistem em uma contradição por definição: Tentar assenhorear-se daquele que é o Senhor (ou de partes dEle).

A afirmação “a mão de deus está aqui” implica em uma negação automática de que ela possa estar em qualquer outro lugar! Diante disto, me pergunto: Como estes homens conseguiram algemar o pulso forte do Onipotente? Como conseguiram conter o Onipresente dentro de suas paredes? O sábio Salomão, que recebeu do próprio Deus a incumbência de construir-Lhe um templo, reconheceu:

 “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado.” (1 Reis 8:27)

Vendo através do prisma aqui posto, é provável que alguns reajam como Boris Casoy em seus melhores dias, socando a mesa e esbravejando – “Isto é um absurdo!” –  No entanto, a tal “igreja” viaja em uma órbita externa, muito distante do centro que é Cristo. Espantoso mesmo é descobrir que os próprios discípulos tentaram “patentear” Jesus, vetando o uso de Seu nome por outros que não fossem próximos a eles mesmos (Marcos 9:38).

O Espírito de Deus é como vento impetuoso (Atos 2:2), não pode ser adquirido por preço nenhum (Atos 8:20), nem pode ser refreado pela eficiência da engenharia humana. Que fique claro! Deus preferiu nossa carne indigna aos estéreis templos de mármore polidos!

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16)

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