Hic Sunt Dracones!


A expressão latina “hic sunt dracones” (em português, aqui há dragões) era utilizada pelos cartógrafos medievais para designar territórios perigosos e/ou desconhecidos.

Basta isto para nos fornecer um  panorama sombrio do que era a chamada “idade das trevas”; uma época em que serpentes gigantes povoavam os mares inexplorados e o demônio aguardava na próxima esquina, pronto para pular em suas costas e te levar para o inferno, sendo você cristão ou não.

Ao que parece a idade média deixou saudades, pois vejo muitos líderes evangélicos tentando implantar uma verdadeira “cultura do medo”!

Assim, muitos tem vivido um cristianismo paranóico e amedrontado, onde o diabo se apossa de bichos de pelúcia e samambaias, ou entra na casa dos crentes através de “portais para o hades”, abertos por uma simples vela acesa! – “Não toques, não proves, não manuseies” – dizem eles…

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” (Colossenses 2:20,21)

Para estes, o diabo é tão onipresente quanto o próprio Senhor, entrando livremente em templos e nos corpos daqueles que se dizem habitados pelo Espirito Santo(!!!)

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (1 João 5:18)

Ouço falar de igrejas que adotam doutrinas que são na verdade, uma mixórdia de misticismo, cristianismo distorcido e muita criatividade! Os relatos são muitos, mas creio que a motivação seja uma só: Controle!

Tais pastores, bispos, apóstolos, profetas, patriarcas ou seja lá quais títulos estejam adotando agora, partem do principio de que a massa para ser facilmente manobrada, precisa estar paramentada com os arreios do medo!

É curioso observar uma tática do baixo espiritismo…

“Você precisa desenvolver sua mediunidade, caso contrário você irá sofrer…”

…em suas diversas versões “evangélicas”!

“Você precisa compartilhar os seus dons, se não deus irá cobrar de você…”

“Você precisa devolver o dizimo, caso contrário deus irá tirar a provisão do seu lar…”

“Você tem que estar debaixo da unção do pastor, se não seus negócios não prosperarão…”

etc, etc, etc…

O medo gera servidão, nos paralisa e nos impede de viver a plenitude do cristianismo! Quando Jesus venceu a morte, nos deu a possibilidade de não teme-la mais.

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” (Hebreus 2:14,15)

Caros irmãos, sentir medo é normal, faz parte de nossa fisiologia… Mas viver uma fé baseada em temores, não é saudável! O Senhor nos ama, e deseja que sejamos perfeitos em amor!

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Não há dragões aqui!

Carlos Amorim

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4 pensamentos sobre “Hic Sunt Dracones!

  1. oandarilho01 disse:

    Primeira coisa a comentar: você pratica uma injustiça com a Idade Média. Ela não foi “das trevas” como alguns dizem ainda hoje. Pelo contrário! Foi uma época de grande florescimento do conhecimento e de glória do cristianismo. As aulas de história só testemunham e insistem nos fatos caricatos, como o medo de “cair do penhasco no fim do tabuleiro domundo”, para ofuscar a beleza daquele tempo, sobretudo no que diz respeito ao cristianismo.

    Com relação ao medo, é um ponto de difícil equilíbrio, me parece. Não se deve instigá-lo, obviamente. Mas um líder espiritual não pode deixar de alertar para os perigos da perdição. Especialmente porque precisamos estar vigilantes.
    A falta de fé no inferno, na condenação eterna, foi o primeiro passo dado pela sociedade contemporânea em direção ao relativismo e à danação. Seguiu-se o desprezo pelo sagrado e vai-se ladeira abaixo, à toda a velocidade, rumo à degradação moral.

    • porele disse:

      Opa! Bem vindo de volta! heheh

      Quanto a questão da estagnação ou florescimento cultural durante a idade média: Concordo que os historiadores se valem de dois pesos e duas medidas para analisar fatos históricos. Como você mesmo disse, nesta época a Instituição Igreja (não estou falando da Igreja Orgânica…) encontrava-se robustecida e possuía muita influência temporal e atemporal… Isso certamente incomoda alguns. Mas o fato (sei que contra fatos existem argumentos sim! especialmente quando estes são isolados) é que não houve muito avanço tecnológico durante este período e episódios como o de Galileu Galilei negando o heliocentrismo diante dos inquisidores do “Santo Oficio” tornaram-se icônicos.

      Quanto ao medo: Não desacredito do inferno, só afirmo que ele já não é para cristãos confessos (nada nos separará… Rm 8). Outrossim, creio que exista uma diferença entre advertir alguém sobre o abismo que se aproxima e incutir medo com o único propósito de obter controle sobre sua vida. Cito aqui uma frase de Charles Spurgeon.

      “Se os pecadores são malditos, deixe ao menos que eles saltem para o inferno sobre os nossos corpos. E se eles perecerem, deixe que eles pereçam com nossos braços sobre seus joelhos, implorando para que fiquem. Se o inferno deve ser cheio, não deixe que nenhum vá para lá desavisado ou sem ter recebido oração.”

      Arreios não foram feitos para ovelhas! Creio sinceramente que o êmbolo do medo não deva impulsionar nossas ações, e sim, o “constrangimento” causado pelo amor de Jesus (2 Co 5:14).

      Abraços!

  2. oandarilho01 disse:

    Nas palavras de S. Bento, expoente da Idade Média: “Crux sacra sit mihi lux, Non draco sit mihi dux!” 🙂

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