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Santa Irrelevância!!

Não sou telespectador de novelas nem pretendo assistir “Salve Jorge”. Não por conta das sementes de terror lançadas no solo fértil das mentes supersticiosas dos evangélicos, muito menos por conta da proposta de boicote que tomou de assalto as redes sociais nestes últimos dias, mas por não me sentir atraído por mais esta “trama étnica” de Glória Perez.

EDIT: Para os que não viram, eis umas das imagens que circularam pelas redes sociais, conclamando os crentes a boicotar o folhetim global.

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” (Colossenses 2:20,21)

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A Igreja em posição de Lótus

Lótus

Houve um tempo em que as manhãs dominicais eram mais solenes. Recordo-me muito bem desta época gloriosa, pois afinal de contas, não se passaram tantos anos desde que o sol se pôs sobre o último daqueles dias… Não era incomum que famílias inteiras “guardassem” o domingo e dedicassem boa parte deste dia à contemplação de um frenético cortejo, onde desfilavam de forma ruidosa e desordenada, aqueles que eram os alvos de toda esta devoção. Antes do inicio do evento em si, os mais experientes dentre os presentes, discursavam  acerca das lutas vividas pelos heróis do passado, das artimanhas arquitetadas pelos infames vilões e sobre os mártires que perderam suas vidas no cumprimento do dever. Bons tempos aqueles!

Embora tenha utilizado imagens que remetem à cerimônias religiosas, os acontecimentos descritos no parágrafo anterior se desenrolavam durante as mundanas transmissões televisivas da Fórmula 1, lá pelos idos de 1990.

Muitos dos que ocupavam os cockpits daqueles bólidos eram dignos de menção, entretanto, resolvi falar de alguém que preferiu atuar nos bastidores.  Trata-se do genial engenheiro inglês Colin Chapman, fundador da Lotus Cars. Seu brilhantismo se apoiava na coragem de pensar  de uma forma contrária ao “Statu Quo” da época.

Os adversários da Lotus se valiam de uma receita bastante óbvia para fazer com que seus carros cruzassem a linha de chegada antes dos concorrentes – eles simplesmente, procuravam aumentar ao máximo a potência bruta de seus motores – em Hethel (pequeno vilarejo inglês onde está instalado o QG da Lotus), no entanto, as coisas eram feitas de forma diferente, pois lá era entoado constante e continuamente o “mantra” de Colin Chapman:

–  “Para ganhar velocidade, adicione leveza”.

Fora dos circuitos da F1 o antagonismo persistia, pois, a medida em que os EUA fabricavam carros cada vez mais poderosos, porém gordos e beberrões, a Lotus construía veículos menores, com motores bem menos potentes, todavia ágeis e capazes de bater qualquer banheira yankee em uma pista sinuosa.

“Aumentar a potência deixa você mais rápido nas retas; subtrair peso deixa você mais rápido em todo lugar.” (Colin Chapman)

Não é difícil traçar um paralelo entre a Igreja hodierna e os opositores da Lotus. As instituições religiosas de hoje tornaram-se grandes, pesadas e famintas por “recursos” (sejam eles humanos, financeiros, etc…). A exemplo dos “Muscle Cars” americanos, tais instituições só são velozes em espaçosas highways, contudo, não exibem a mesma desenvoltura ao se depararem com uma estradinha estreita e cheia de curvas.

No final dos anos 60, os grandes fabricantes de Chicago tiveram que adequar seus automóveis as novas leis que estabeleciam limites para a emissões de poluentes, o que transformou os outrora “musculosos” em imensas barcas metálicas que não empolgavam mais ninguém.

Conforme escrevi em outra ocasião, creio que a Igreja Institucional ainda tem um papel importante a desempenhar, só não sei até quando, pois nada impede que novas “leis anti-poluentes” entrem em vigor…

Por fim, não estou bem certo se o melhor para a cristandade é continuar a bordo de seus possantes gigantes de aço, substitui-los por modelos menores e menos dispendiosos ou abandonar a combustão interna de vez e perfazer o restante do caminho a pé.

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O vencedor

Nunca fui um desportista dos mais habilidosos, contudo, sempre gostei de esportes – muito mais de acompanha-los pela TV do que propriamente pratica-los – talvez por isso, o campeonato pan-americano que se desenrola na cidade mexicana de Guadalajara, me encha tanto os olhos!

Vejo competições desta natureza como imensas peças teatrais, onde o protagonista é sempre a alma humana e a cada ato temos vislumbres dos extremos que esta pode alcançar. Enquanto alguns exultam, orgulhosos das medalhas que pendem em seus pescoços, outros escondem o rosto com as mãos, lamuriosos por não terem alcançado o êxito almejado.

Creio que além do sentimento de falha, os atletas vencidos vivenciam uma crise de significância, pois raramente alguém que termina uma prova em quarto lugar, será louvado por seus esforços heroicos. A história da humanidade quase sempre foi contada pelos vencedores. Os derrotados e conquistados dificilmente tiveram a oportunidade de dar suas versões dos fatos.

As competições não se restringem aos eventos esportivos, pois desde muito cedo, sentimo-nos pressionados a provar que somos mais valorosos que os nossos semelhantes. Basta observar um grupo de jovens mães para vermos como cada uma delas se gaba por seu rebento ter engatinhado ou dito as primeiras palavras antes que os demais. Na escola, cobiçamos ser o melhor aluno da classe, o craque do time de  futebol ou o mais eloquente orador. E por fim, já na vida adulta, vemos nossos colegas de trabalho mais como adversários do que como companheiros.

A rivalidade entre seres humanos não é uma invenção moderna, ela remonta a tempos ancestrais, desde que Caim percebeu que a oferta de seu irmão foi melhor aceita por Deus que a sua própria (Gênesis 4:5). Aparentemente o sangue derramado de Abel marcou indelevelmente a alma humana, com efeito, que até a nossa piedade é permeada por um sentimento de superioridade, pois, ficamos aliviados ao encontrar uma pessoa em uma situação mais complicada que a nossa.  Não é difícil ouvir de amigos que tentam nos consolar: “existe gente em condições piores que a sua”.

O “cristianismo” hodierno ao invés de coibir (Gálatas 5:26), parece incentivar a emulação. Alguns líderes fazem uso de trechos da Bíblia – devidamente tirados do contexto – para incutir na mente de seu secto que estes devem, por obrigação, ser sempre mais bem sucedidos que os demais. E na corrida desenfreada para ser um “mais que vencedor”, os ditos cristãos ficam mais preocupados em romper uma fita com o peito do que quebrar as algemas que manietam os pés do próximo.

Grande parte dos ditos evangélicos anseia mais pelo palco do que pela cruz! Digo porém que deveríamos buscar o exemplo de Jesus, que apesar de ter a mente voltada para o céu, mantinha Seus olhos atentos à aqueles que caiam as margens do caminho. Cristo sentia-se irresistivelmente atraído por “perdedores”! E Ele não os olhava como pessoas de segunda classe, e sim, dava-lhes o devido valor.

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e mos enxugou com os seus cabelos.
Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.
Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. ” (Lucas 7:44-46)

Diante disto, sinto-me constrangido pelo modelo de Cristo! Gostaria eu de não ter que competir, de não ter que correr tanto, de dedicar mais tempo as pessoas e menos as coisas…

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

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Game of Thrones, Nossa escala, Nossos valores…

Tenho acompanhado com entusiasmo a excelente série Game of Thrones, produzida pela HBO. Após esta declaração, é bem provável que os mais moralistas já não sigam adiante, ainda assim, peço a estes uma chance de defesa.

Decerto que o incômodo com a série supracitada se deve principalmente as cenas de sexo em profusão. Isto não me causa espanto. O sexo sempre foi o mais feio dos demônios à aterrorizar as mentes dos bons cristãos!

Atentem que não estou fazendo aqui, uma apologia à pornografia ou ao erotismo! Longe de mim!

Só peço que observem como um simples programa de TV tem o poder de desnudar, não só os corpos dos atores em cenas tórridas, mas também nossas escalas de valores.

Ficamos pasmos com a sensualidade exposta na tela, mas não demonstramos o mesmo assombro, e até vibramos, ao ver com toda a rudeza e todos os tons de vermelho possíveis, a morte de um homem, de uma mulher, de uma criança…

Me pergunto: Que moral é esta (sempre ela!) que com uma das mãos cobre os olhos para o sexo, e com a outra exibe o polegar levantado, em aprovação a morte de outros seres humanos?

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O culto ao demérito e o BBB

A cada ano, a Rede Globo de Televisão ergue, não só um altar, mas uma enorme catedral em honra ao demérito. Todas as noites, “um Brasil de audiência” acomoda-se em frente a televisão para ver passar um desfile de grosserias, egocentrismo, maledicências, traições, etc… E para piorar, o mestre de cerimônia deste verdadeiro show de horrores, o outrora jornalista Pedro Bial, refere-se aos seus protagonistas como “nossos herois”. Um acinte!!

Ao que parece, os ocupantes “da casa mais vigiada do Brasil” são escolhidos a dedo, com um único propósito claro: De que as interações entre eles gerem situações que eu classificaria como “pouco ortodoxas”. É perfeitamente compreensível (embora não justificável), afinal, ninguém ligaria a TV para assistir a um pacífico jantar em família ou a um grupo de amigos envolvidos em uma conversa saudável. Não mesmo! Certa vez, Niki Lauda, ex-piloto de Formula 1, disse uma frase que é um reflexo desta realidade.

“Sei que a maioria do público quer ver acidentes. Mas uma boa parte vai ao autódromo interessado em ver uma boa competição”

Segundo a visão de Lauda, o que desperta o interesse da maioria dos espectadores de automobilismo (e de realities shows) é o extraordinário, o atípico, o fora do comum. A imagem do bólido desintegrando-se ao bater violentamente contra um guard rail é mais atraente do que a de um piloto cruzando em segurança a linha de chegada… Pode parecer cruel, e de fato é, pois muitos já perderam a vida deste modo!

A grande mídia conseguiu gravar de forma indelével no inconsciente coletivo a idéia de que o natural, o cotidiano, o típico e o rotineiro são coisas ruins e que por este motivo, devemos fugir deles assim como o diabo foge da Cruz!

Vejo moças que não anseiam mais freqüentar uma universidade para estudar e concluir seus cursos com louvor, e sim, para “causar” a bordo de seus micro-vestidos; Presencio rapazes sendo laureados por seus amigos por tomarem vodca pelos olhos ou por publicarem fotos ou vídeos indiscretos de suas ex-namoradas; Assisto pela TV uma repórter enaltecendo a família “moderna”, composta por dois “pais” ou duas “mães” e seus “filhos”.

Todos almejam ser como os “heróis” da televisão, que adotaram como lema de vida a frase “falem mal, mas falem de mim”. Este é somente mais um dos ecos do ocaso de uma sociedade que aceita a injustiça, conforma-se com o mal e cultua o demérito!

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

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