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Um apóstolo segundo um apóstolo

O chamado “Movimento da Restauração Apostólica” transformou o que outrora fora um extraordinário ofício circunstancial em mais um degrau a ser escalado na carreira eclesiástica. A meu ver, o apostolado moderno é só mais uma patente, um insígnia dourada, forjada com o propósito de enaltecer os homens que a ostentam. Estes charlatões condecorados, que transpiram altivez e vaidade por todos os poros, não poderiam estar mais distantes dos apóstolos genuínos.

Creio que não há quem melhor possa falar a respeito da realidade do ministério apostólico do que um apóstolo… E um de verdade! Acho que Paulo é a pessoa certa para esta tarefa, pois foi quem mais precisamente descreveu a vida e a obra de um enviado (é o que a palavra grega ἀπόστολος, apostolos, significa) . Portanto, vamos contrapor a vida do Apóstolo dos Gentios com a destes que existem por aí…

  • Alguns dos apóstolos modernos rasgam os céus a bordo de seus jatos de luxo, ao passo que os apóstolos autênticos não tinham meios para manter uma montaria, e por conta disto, costumavam percorrer longas distancias a pé.  Paulo também chegou a se deslocar em barcos, o que rendeu-lhe um saldo de três naufrágios  (2 Coríntios 11:25);
  • Muitos destes que se dizem apóstolos, nas vezes em que são pegos de calças curtas pela justiça dos homens, ou quando são criticados por seus vários deslizes doutrinários, costumam apresentar-se como vítimas injustiçadas (1 Pedro 2:20).  Paulo foi apedrejado, surrado com varas (2 Coríntios 11:25) e aprisionado (2 Timóteo 2:9), e ainda assim, ousava dizer que “…a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17) [grifo meu];
  • Os apóstolos de hoje exigem de seu séquito toda espécie de donativos, ofertas, sacrifícios e sementes. Paulo, temendo sobrecarregar a igreja, preferiu trabalhar noite e dia, afim de prover o seu próprio sustento (1 Tessalonicenses 2:9);
  • Muitos destes falsos apóstolos pregam que quanto mais dinheiro, propriedades, títulos e posições sociais um cristão acumular, mais abençoado este é diante de “deus”. Paulo escreveu que perdeu todas estas coisas, pelo conhecimento de Cristo Jesus, e a partir deste momento, passou a considera-las como “esterco” (Filipenses 3:4-8);
  • Os apóstolos desta era, vivem vidas confortáveis, sem muitos percalços. Paulo afirmava estar experimentado em tudo, desde a fartura até a pobreza,  desde a abundância até a fome (Filipenses 4:12);
  • Os apóstolos modernos gabam-se do tamanho de suas congregações e de possuírem em seus currículos várias (supostas) curas e milagres, em oposição a Paulo, que dizia gloriar-se unicamente de suas fraquezas (2 Coríntios 12:5);
  • Os apóstolos de hoje, desfilam em seus carros de luxo, em uma flagrante afronta a pobreza da maioria de seus seguidores. Paulo se fez de fraco diante dos fracos, para ganha-los para Cristo (1 Coríntios 9:22);
  • Os apóstolos atuais consideram-se santos ungidos e inatingíveis. Paulo considerava a si mesmo “o principal dos pecadores” (1 Timóteo 1:15);
  • Paulo trazia em seu corpo, as marcas do Senhor Jesus (Gálatas 6:17), os apóstolos deste século estão com suas cútis impecáveis;
Paulo não fui uma exceção a regra, o ministério dos demais apóstolos também foi povoado por lutas e dificuldades, e nem isto garantiu-lhes uma descida tranquila aos túmulos de seus pais! O único apóstolo que teve sua morte registrada no Novo Testamento foi Tiago, filho de Zebedeu, executado por Herodes por volta de 44 d.C. (Atos 12:2). Não obstante, registros históricos e/ou advindos da tradição nos dão conta do tipo de morte que os demais tiveram:
  • Pedro foi crucificado de cabeça para baixo (a seu próprio pedido, por não considerar-se digno de morrer como seu Mestre) no Circo de Nero;
  • André foi morto em uma cruz em forma de “X”;
  • Tomé foi morto pelas lanças de quatro soldados em Mylapore, Índia;
  • Existem divergências quanto a morte de Felipe. O mais provável é que ele tenha sido crucificado, mas existem relatos que confirmam sua morte em uma prisão da Ásia Menor, mediante tortura, ordenada pelo pró-cônsul;
  • Também não é muito precisa a “causa mortis” de Mateus, enquanto algumas histórias dizem que ele não foi martirizado, outras confirmam sua morte por esfaqueamento na Etiópia;
  • Bartolomeu teria sido esfolado vivo e depois decapitado pelo governador de Albanópolis, atual Derbent (cidade localizada na República do Dargestão, Rússia);
  • Como dito antes, Tiago, filho de Zebedeu, foi executado em 44 d.C;
  •  Tiago, filho de Alfeu, teria sido apedrejado;
  • Simão, o Zelote, foi morto após ter se negado a sacrificar ao deus Sol dos zoroastristas;
  • Judas Tadeu foi morto a machadadas, no mesmo episódio que vitimou Simão, o Zelote;
  • João teria morrido de morte natural em Éfeso, no ano 103 d.C., quando tinha 94 anos;
  • Matias foi morto na fogueira;
  • Paulo, por possuir cidadania romana, não foi crucificado e sim decapitado, na Via Ostiense, em Roma;

E ai? Alguém ai ainda quer ser apóstolo?

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O estado de pecado

A alguns dias, publiquei uma enquete que tinha o intuito de colher de meus leitores, opiniões a respeito da “doutrina” do “pecado de estado”. Apesar de ninguém ter se disposto a expressar suas idéias nos comentários, após algumas conversas e muita reflexão, cheguei as seguintes constatações a respeito do tema proposto:

  1. Fato: Voluntariamente ou não, somos sócios do estado, pois seu sustento advém dos impostos que pagamos, ao passo que tiramos proveito dos benefícios que este nos oferece;
  2. Fato: Sofremos por conta do mal funcionamento da máquina estatal. A malversação de recursos públicos, que deveriam ser destinados a saúde, educação e segurança pública nos afeta diretamente;
  3. Fato: Acredito na onipotência de Deus e creio piamente que Ele pode, de acordo com a Sua soberana vontade, interferir nos rumos da história. Contudo, os males citados no item anterior, são consequências naturais de uma administração corrupta, não é preciso uma ação sobrenatural da parte Deus para que eles se abatam sobre nós;
  4. Fato: Só alguém dotado de consciência é capaz de pecar;
  5. Fato: Assim como nós, o  estado tem uma “consciência” que o rege (constituição);
  6. Fato: No entanto, o estado, assim como a sua suposta consciência, não se sustentam sozinhos. A consciência estatal é fruto da mente humana;
  7. Fato: Podemos ter problemas por estarmos coligados a um estado adoecido, isto porém, não pode ser interpretado como uma punição divina;

Concluo portanto, que o estado pode ser tão pecador quanto uma samambaia! Não existe este tal “pecado de estado” e sim  um estado de pecado em que muitos se encontram.

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Foi tanto poder que eles foram ao chão!

De todo o nosso aparato sensorial, talvez seja a visão o sentido definitivo. Os olhos servem como nossos principais balizadores nos momentos em que estamos diante de uma bifurcação cognitiva, quando precisamos aceitar ou não algo como verdade. Podemos duvidar da audição, do olfato e do tato, porém para nós, a visão produz provas irrefutáveis!

Talvez por conta desta característica inegavelmente humana, temos visto inúmeras igrejas que se dedicam quase que exclusivamente ao desfile de fenômenos visíveis. Entre os vários eventos extraordinários, um dos que mais se fazem notar é a conhecida “unção do cai-cai”. Não há muita variação sobre o tema: Um pastor leva as pessoas ao chão, em um aparente estado de transe hipnótico, com uma palavra ou gesto impetuoso.

É curioso observar que o “performer” do vídeo abaixo não é um pastor evangélico, e sim um “mestre” em artes marciais que desenvolveu seu kiai a ponto do mesmo ser capaz de derrubar seus adversários sem precisar toca-los. Ele afirma utilizar apenas um “fluxo de energia” que emana de seu corpo.

Em semelhança à “unção do cai-cai”, parece que o kiai só surte efeito naqueles que crêem em seu poder, o que parece não ser o caso do lutador de MMA do vídeo abaixo:

Nossa fé não pode estar alicerçada nas coisas visíveis, pois estas são passageiras por natureza; em um momento estão a frente de nossos olhos, já em outro, não estão mais. Ora, o próprio conceito de fé, segundo o autor da carta aos Hebreus, é algo que independe de “visão”:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11:1)

Os que vivem esperando por eventos sobrenaturais, assemelham-se mais aos religiosos que solicitaram um sinal miraculoso a Cristo:

“Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas;” (Mateus 12:39)

O Senhor Jesus foi bem enfático em sua afirmação ao incrédulo Tomé, quando disse a ele que mais felizes são os que não o viram pessoalmente e mesmo assim, creram:

“Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29)

Caros irmãos, prodígios e maravilhas não são sinais da presença ou da aprovação de Deus. As artimanhas humanas, associadas ou não a poderes malignos, são capazes de coisas impressionantes.

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.”(Mateus 24:24)

Abraços fraternos,

Carlos Amorim

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Iron Man, o deus de vocês!

O principal tema da musica Iron Man, escrita por Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward é vingança. Só este fato já torna inconcebível imaginar que esta canção, que chegou pela primeira vez as vitrolas do grande público lá pelos idos de 1970, nos sulcos de um compacto entitulado “Paranoid”, está cheia de referências (ainda que indiretas) a alguém que seus autores acreditavam ser Jesus Cristo.

Nos primeiros versos, vemos alusões (bem veladas, diga-se de passagem) a incompreensão e ao desprezo sofridos por Cristo…

Ele perdeu a cabeça?

Ele pode ver ou ele está cego?

Pode ele caminhar sobre tudo,

E caso ele se mova, ele cairá?

Ele está vivo ou morto?

Tem ele pensamentos em sua cabeça?

Nós somente passaremos por ele

Por que deveríamos nos preocupar?

No trecho a seguir, percebemos referências à Sua morte, sepultamento (no seio da terra, no campo magnético), ressurreição (a transformação de seu corpo) e a Seu retorno, em um futuro apocalíptico…

Ele se transformou em aço

No grande campo magnético

Onde ele viajou pelo tempo

Para o futuro da raça humana

Vemos o revanchismo, não próprios do Jesus verdadeiro, que perdoou os seus algozes enquanto ainda estava na cruz…

Ninguém o quer

Ele encara o mundo

Planejando sua vingança

Que ele brevemente executará

O tempo é agora

Para Homem De Ferro espalhar o medo

Vingança da sepultura

Matar as pessoas que ele um dia salvou

Ninguém o quer

Poucos viram sua face

Ninguém o ajuda

Agora ele quer sua vingança

Botas pesadas de chumbo

Enchendo suas vítimas de medo

Correndo tão rápido quanto elas podem

O Homem De Ferro vive novamente!

Alguns podem alegar que sou um paranóico religioso, e que esta musica de fato, não faz menção alguma ao Filho Unigênito de Deus…

Digo porém, que o mote deste artigo não é criar uma nova teoria conspiratória, e sim, expor o fato de que nós cristãos, somos os principais responsáveis por perpetuar na mente dos não-cristãos a idéia de que o Deus que cremos é um deus cruel e vingativo!

Não faz muito tempo (por volta de janeiro, do ano passado), que o cônsul do Haiti em São Paulo afirmou categoricamente que, tanto o problema da pobreza na África quanto a tragédia do tsunami no Haiti são sui generis, ou seja, tem origem étnica. Segundo ele, paira sobre aqueles povos uma maldição  ocasionada pelas crenças herdadas de seus antepassados. Mais impressionante que a declaração do cônsul, foram os ecos que ela produziu em diversos blogs e templos evangélicos! Os corpos de milhares de haitianos nem haviam sido sepultados e muitos líderes e articulistas evangélicos reverberavam com empolgarão as palavras do magistrado. Mais recentemente, durante a catástrofe ocorrida no Japão, opiniões semelhantes foram emitidas.

Ora, eu bem sei que o Senhor é soberano para impetrar Sua justiça da forma que julgar melhor, mas também estou ciente que o sol se põe sobre os bons e os maus (Mateus 5:45), que tais coisas podem ocorrer tanto aos justos como aos injustos (Eclesiastes 9:2) e que Ele não tem prazer na morte dos infiéis (Ezequiel 18:23). Em resumo, meu Deus não é o Iron Man!

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem…” (Lucas 23:34)

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Hic Sunt Dracones!

A expressão latina “hic sunt dracones” (em português, aqui há dragões) era utilizada pelos cartógrafos medievais para designar territórios perigosos e/ou desconhecidos.

Basta isto para nos fornecer um  panorama sombrio do que era a chamada “idade das trevas”; uma época em que serpentes gigantes povoavam os mares inexplorados e o demônio aguardava na próxima esquina, pronto para pular em suas costas e te levar para o inferno, sendo você cristão ou não.

Ao que parece a idade média deixou saudades, pois vejo muitos líderes evangélicos tentando implantar uma verdadeira “cultura do medo”!

Assim, muitos tem vivido um cristianismo paranóico e amedrontado, onde o diabo se apossa de bichos de pelúcia e samambaias, ou entra na casa dos crentes através de “portais para o hades”, abertos por uma simples vela acesa! – “Não toques, não proves, não manuseies” – dizem eles…

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” (Colossenses 2:20,21)

Para estes, o diabo é tão onipresente quanto o próprio Senhor, entrando livremente em templos e nos corpos daqueles que se dizem habitados pelo Espirito Santo(!!!)

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (1 João 5:18)

Ouço falar de igrejas que adotam doutrinas que são na verdade, uma mixórdia de misticismo, cristianismo distorcido e muita criatividade! Os relatos são muitos, mas creio que a motivação seja uma só: Controle!

Tais pastores, bispos, apóstolos, profetas, patriarcas ou seja lá quais títulos estejam adotando agora, partem do principio de que a massa para ser facilmente manobrada, precisa estar paramentada com os arreios do medo!

É curioso observar uma tática do baixo espiritismo…

“Você precisa desenvolver sua mediunidade, caso contrário você irá sofrer…”

…em suas diversas versões “evangélicas”!

“Você precisa compartilhar os seus dons, se não deus irá cobrar de você…”

“Você precisa devolver o dizimo, caso contrário deus irá tirar a provisão do seu lar…”

“Você tem que estar debaixo da unção do pastor, se não seus negócios não prosperarão…”

etc, etc, etc…

O medo gera servidão, nos paralisa e nos impede de viver a plenitude do cristianismo! Quando Jesus venceu a morte, nos deu a possibilidade de não teme-la mais.

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” (Hebreus 2:14,15)

Caros irmãos, sentir medo é normal, faz parte de nossa fisiologia… Mas viver uma fé baseada em temores, não é saudável! O Senhor nos ama, e deseja que sejamos perfeitos em amor!

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Não há dragões aqui!

Carlos Amorim

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