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A Ditadura do Sucesso

Preso

Parece uma contradição aparente que numa época tão ruidosa tal qual esta que vivemos, estejamos sendo afetados por tantos eventos silenciosos: revoluções silenciosas, epidemias silenciosas, genocídios silenciosos, etc…

Assim, muitos podem não notar, mas nossa sociedade é impulsionada por um êmbolo taciturno, azeitado constantemente pelos interesses do mercado, o que aumenta sua eficiência e faz com que o mesmo opere constantemente, sem ser perturbado por praticamente nenhuma força opositora.

Apesar da mudez, o tal pistão faz com que todos dentro de seu campo de influência sigam suas ordens sem contestar. Ele conseguiu a proeza de instituir seu regime autoritário – A Ditadura do Sucesso – de maneira pacífica e até sorridente.

Mas afinal, o que caracteriza a tal “Ditadura do Sucesso”?

Presenciamos a obediência cega aos ditames deste regime despótico quando constatamos que para alguém ser respeitado, tido como exemplo ou citado nas rodas de “amigos”, este mesmo precisa ter amontoado um número considerável de objetos em seus depósitos. Além disso, são fixados alvos a serem atingidos em cada etapa de nossas vidas: Aos 15 anos, você precisa ter o tênis da moda, aos 25 você precisa ter um carro, aos 35 você precisa ter uma casa própria…

Outra lei inexorável que consta no regimento da “Ditadura do Sucesso” é que as pessoas devem se casar com seus empregos, sacrificando o presente com suas famílias em nome de um futuro “vitorioso”.

“Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito.” (Eclesiastes 4:6)

Somos educados a acumular, estamos acostumados a escutar  expressões como: “Quanto mais melhor”, “É melhor pecar pelo excesso”, “Você vale o quanto tem”, etc… Diante deste fato, dar de cara com um pensamento radicalmente oposto nos causa espanto e até um certo desconforto.

“Não é o acréscimo diário, mas o decréscimo diário. Corte fora o que não for essencial” (Bruce Lee)

A biografia de Bruce Lee é um testemunho eloquente de seu hábito de andar na contramão da sociedade de sua época. O que dizer então de um homem como João Batista, que tecia suas próprias roupas e não precisava ir ao mercado para obter seus alimentos (Mateus 3:4)? Ou do próprio Jesus, que apesar de toda a sua sabedoria e do seu discurso poderoso (sem citar seus atributos divinos), afirmou não ter onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20)? Tais fatos me levam a refletir se todas aquelas coisas que julgamos essenciais ao nosso bem estar, são de fato tão necessárias assim.

“Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil.” (C. S. Lewis)

Não tenho intenção de alargar as franjas das minhas vestes. Não nego que alguns de meus poucos bens me dão prazer. Outrossim, gosto de ouvir o eco da vós de Salomão, que  era invejado por sua riqueza, e ainda assim, cometeu a “ousadia” de deixar para a posteridade escritos como estes, registrados nas páginas do livro de Eclesiastes, no capítulo 2.

“Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.” (v. 4)

“Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.” (v. 5)

“Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.” (v. 8)

“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol. (v. 11)

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