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O Apocalipse Cyberpunk

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“Vi coisas que vocês homens nem imaginam. Naves de guerra em chamas na constelação de Orion. Vi raios-C resplandecentes no escuro perto do Portal de Tannhaüser. Todos esses momentos perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Tempo para morrer”. (fala final de Rutger Hauer em Blade Runner).

Desde que assisti pela primeira vez Blade Runner, filme que considero ser a “opus magna” de Ridley Scott, me apaixonei pelas obras de ficção cientifica e pelo estilo cyberpunk.

Para quem não está familiarizado, o estilo cyberpunk se caracteriza pela retratação de futuros distópicos, onde a alta tecnologia e a baixa qualidade de vida (“high tech, low life”) estão muito presentes.

Analisando os futuros retratados nas obras cyberpunk, percebemos um padrão: Invariavelmente, aquelas realidades terríveis foram precedidas por períodos de otimismo, onde as pessoas acreditavam que a tecnologia seria o grande catalisador das mudanças que levariam a sociedade para um futuro muito promissor. Ledo engano!

Não me entendam mal, eu trabalho com tecnologia, eu amo tecnologia! Mas a tecnologia “per se” não tem poder para transformar uma pessoa má em uma pessoa melhor e consequentemente, uma sociedade má em uma sociedade melhor!

A tecnologia é importante, mas meu messias é outro!! Ele não fica obsoleto, não requer manutenção e Ele vive para sempre!!

Sou grato a Deus por Ele ter nos concedido inteligência para que pudéssemos desenvolver a tecnologia, mas sou mais grato ainda por Ele ter nos dado Jesus Cristo, o verdadeiro, eterno e único Salvador!

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Santa Irrelevância!!

Não sou telespectador de novelas nem pretendo assistir “Salve Jorge”. Não por conta das sementes de terror lançadas no solo fértil das mentes supersticiosas dos evangélicos, muito menos por conta da proposta de boicote que tomou de assalto as redes sociais nestes últimos dias, mas por não me sentir atraído por mais esta “trama étnica” de Glória Perez.

EDIT: Para os que não viram, eis umas das imagens que circularam pelas redes sociais, conclamando os crentes a boicotar o folhetim global.

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” (Colossenses 2:20,21)

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Eu tenho um sonho…

by ~DarkCalamity

Nestes tempos em que as disciplinas de auto-conhecimento e a auto-ajuda estão em alta, tem-se celebrado os sonhos como nunca. O mundo encontra-se povoado por sonhadores, mas poucos são como Martin Luther King Jr…

“Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.”

O reverendo King sonhou com um mundo igualitário, entretanto, quando falamos de sonhos, quase sempre estamos nos referindo a satisfação da fome do nosso próprio estômago.

Existem inúmeras canções que falam de forças opositoras que tentam a todo custo assassinar nossos sonhos. Estas músicas costumam sacralizar nossas aspirações, tratando-as como coisas muito preciosas e que não devemos medir esforços para preservá-las. Quando interiorizamos tais idéias e a vida segue um curso indesejado, nos sentimos injustiçados, daí, passamos a clamar a Deus para que Ele derrame as taças de Sua Santa Ira sobre esta existência, que teima em seguir seus próprios caminhos.

É curioso observar que sempre que Deus concedeu sonhos a alguém foi em nome de um bem coletivo, e não de propósitos egoístas (Tiago 4:3).

  • Os sonhos do Faraó do Egito, interpretados por José, serviram para salvaguardar a família de Jacó e o próprio Egito da fome (Gênesis 41:2).
  • Os sonhos de Daniel forneceram uma antevisão do advento, morte e ressurreição do Ungido de Deus (Cristo) (Daniel 9:24-27).

Não digo com isso que está vetado o nosso direito de sonhar, longe de mim pensar assim, mas creio que as nossas ambições devem ser colocadas em seu devido lugar. Temos que estar cientes que muitos dos nossos anseios não vão virar realidade e que não há nada de mal (o mal com “L” é proposital!) com isso.

-x-

Faço aqui um Post Scriptum para parafrasear versos de Poesia Titânica:

“Nenhuma idéia (sonho) vale uma vida.
O Evangelho não é uma idéia, é uma Pessoa!
A troca feita na cruz não foi de uma Vida por uma idéia (ou ideal).
Foi uma Vida por várias vidas!”

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A Ditadura do Sucesso

Preso

Parece uma contradição aparente que numa época tão ruidosa tal qual esta que vivemos, estejamos sendo afetados por tantos eventos silenciosos: revoluções silenciosas, epidemias silenciosas, genocídios silenciosos, etc…

Assim, muitos podem não notar, mas nossa sociedade é impulsionada por um êmbolo taciturno, azeitado constantemente pelos interesses do mercado, o que aumenta sua eficiência e faz com que o mesmo opere constantemente, sem ser perturbado por praticamente nenhuma força opositora.

Apesar da mudez, o tal pistão faz com que todos dentro de seu campo de influência sigam suas ordens sem contestar. Ele conseguiu a proeza de instituir seu regime autoritário – A Ditadura do Sucesso – de maneira pacífica e até sorridente.

Mas afinal, o que caracteriza a tal “Ditadura do Sucesso”?

Presenciamos a obediência cega aos ditames deste regime despótico quando constatamos que para alguém ser respeitado, tido como exemplo ou citado nas rodas de “amigos”, este mesmo precisa ter amontoado um número considerável de objetos em seus depósitos. Além disso, são fixados alvos a serem atingidos em cada etapa de nossas vidas: Aos 15 anos, você precisa ter o tênis da moda, aos 25 você precisa ter um carro, aos 35 você precisa ter uma casa própria…

Outra lei inexorável que consta no regimento da “Ditadura do Sucesso” é que as pessoas devem se casar com seus empregos, sacrificando o presente com suas famílias em nome de um futuro “vitorioso”.

“Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito.” (Eclesiastes 4:6)

Somos educados a acumular, estamos acostumados a escutar  expressões como: “Quanto mais melhor”, “É melhor pecar pelo excesso”, “Você vale o quanto tem”, etc… Diante deste fato, dar de cara com um pensamento radicalmente oposto nos causa espanto e até um certo desconforto.

“Não é o acréscimo diário, mas o decréscimo diário. Corte fora o que não for essencial” (Bruce Lee)

A biografia de Bruce Lee é um testemunho eloquente de seu hábito de andar na contramão da sociedade de sua época. O que dizer então de um homem como João Batista, que tecia suas próprias roupas e não precisava ir ao mercado para obter seus alimentos (Mateus 3:4)? Ou do próprio Jesus, que apesar de toda a sua sabedoria e do seu discurso poderoso (sem citar seus atributos divinos), afirmou não ter onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20)? Tais fatos me levam a refletir se todas aquelas coisas que julgamos essenciais ao nosso bem estar, são de fato tão necessárias assim.

“Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil.” (C. S. Lewis)

Não tenho intenção de alargar as franjas das minhas vestes. Não nego que alguns de meus poucos bens me dão prazer. Outrossim, gosto de ouvir o eco da vós de Salomão, que  era invejado por sua riqueza, e ainda assim, cometeu a “ousadia” de deixar para a posteridade escritos como estes, registrados nas páginas do livro de Eclesiastes, no capítulo 2.

“Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.” (v. 4)

“Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.” (v. 5)

“Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.” (v. 8)

“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol. (v. 11)

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Beija eu, Seja eu…

“Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos” (Romanos 12:16)

Pessoas que professam um mesmo credo, seja ele político, ideológico ou religioso, costumam enxergar o mundo por um prisma em comum, assim, é de se esperar que os cristãos, ou melhor, as pessoas que se dispuseram a seguir o exemplo e os ensinamentos de Cristo, vejam a vida através das lentes da cosmovisão cristã.

Eu aceito a afirmação supracitada como uma verdade simples e auto-evidente, mas também não acho inconcebível que duas pessoas que bebem de uma mesma fonte de fé cultivem pontos de vistas dissonantes.

Não me entendam mal, minha intenção não é relativizar a fé ou a doutrina cristã, eu creio que existem questões basilares, que se não forem bem aceitas, levam o indivíduo a viver uma religião descaracterizada e/ou pervertida, ao passo que, existem matérias que podem entrar em pauta sem que para isso alguém precise cometer um pecado ou incorrer em heresias.

Acredito que os cristãos da era apostólica tinham esta mesma compreensão, pois, celibatários viviam em paz com pessoas casadas (1 Co 7:1, Mt 8:14), vegetarianos comiam ao lado de carnívoros (Rm 14:6), abstêmios trocavam experiências com apreciadores de vinho, etc…

Assim sendo, lanço as seguintes indagações: Por acaso não é pertinente a um crente desenvolver senso crítico? Não é conveniente que um homem de fé tenha suas próprias opiniões?

Arrisco dizer que a réplica de grande parte dos atuais líderes cristãos para ambas as perguntas seria um sonoro NÃO!

Estes arroubos de autoritarismo não são desencadeados somente pelo receio de perder o controle sobre o rebanho, pois, existem fatores históricos e culturais que levam a maioria dos detentores do poder a agirem desta forma.

A igreja, assim como toda sociedade ocidental, foi fortemente influenciada pelo dualismo helênico de Platão, o que nos leva a enxergar quase todas as coisas em pares equivalentes e opostos: Preto e Branco, Fé e Razão, Sagrado e Mundano, etc…

Por causa disso, toda opinião contrária é automaticamente classificada como maligna. A consequencia imediata disto é o empobrecimento cultural e a instituição do obscurantismo e do conformismo como sinais de uma fé saudável.

Afinal, é possível viver integrado a uma comunidade e ainda assim manter a individualidade? Eu creio que sim, até porque, estas duas coisas não ocupam hemisférios distintos do meu cérebro. Mas a maioria dos cristãos insiste em ver a Igreja pela ótica fordista:

“O cliente pode ter um carro pintado com a cor que desejar, contanto que seja preto.” (Henry Ford)

ou seja:

“Nós te aceitamos da forma que você é, contanto que você passe a se vestir, falar e andar como nós”

Por fim, como integrante do bando das “ovelhas negras” (que fazem questão de permanecer no aprisco do Bom Pastor), reafirmo que não estou propondo a negociação do inegociável (aspectos fulcrais da fé), e sim, que todos ponham em prática o principio da alteridade, que é a capacidade ou qualidade de “ser” o outro, entender seus anseios e dores (seja eu), e ama-lo (beija eu) apesar deles.

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu…

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