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O louvor involuntário

“Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR.” (Salmos 150:6)

Louvor é antes de mais nada, uma expressão de gratidão e reconhecimento… Seja ela qual for! Assim, causa-me um certo desconforto ouvir alguém fazendo referência ao ato de louvar como um sinônimo de cantar. Esta pequena confusão terminológica nos conduz a um segundo ponto: A polarização “Musica do Mundo” vs “Musica Cristã”.

É curioso observar que as discussões acaloradas que hoje povoam muitos blogs e sites cristãos, não tinham espaço no meio da dita “igreja primitiva”! Não encontramos no relato bíblico neotestamentário nenhuma recomendação quanto a não consumir cultura “secular”, outrossim, vemos Paulo, que era bom conhecedor tanto da cultura judaica como da cultura greco-romana, não demonstrando nenhum pudor em citar poetas e escritores “mundanos” em seus escritos.

  • Paulo citou um verso usada em uma das peças do dramaturgo grego Menandro em 1 Co 15:33
  • O mesmo Paulo também fez claras referencias a poetas pagãos em At 17:28 e Tt 1:12

O que justifica a abstinência da boa música secular? De bons filmes seculares? De bons livros seculares? Da boa comida secular (Sim! Pois considero a culinária uma arte! E como eu creio que poucos judeus ortodoxos que só se alimentam de comida kosher certificada lerão este texto,  você provavelmente deve receber constante e alegremente este tipo de arte!).

O certo é que a criação por si só, em sua forma e função, nos fornece um testemunho vívido e belo da glória de Deus! O canto de uma ave não é entoado em nenhuma língua compreensível pela espécie humana, mas exalta o nome Daquele que é e que era e que há de vir, o farfalhar das folhas de uma árvore ao vento não formam palavras, mas celebram o Mestre de toda a criação!

E afinal qual é a fonte dos dotes artísticos? Da criatividade de Leonardo da Vinci, da poesia de Vinicius de Moraes, do virtuosismo de Yo-Yo Ma? Será que o Deus que nos equipou com inteligencia e sensibilidade permitiria que estes dons fossem utilizados para honrar ao diabo?

A grande verdade é que querendo ou não, quem produz a boa arte, bendiz ao Altíssimo! Portanto, mesmo ateus confessos como Nando Reis e Chico Buarque, ao comporem suas belas canções, elevam o nome dAquele que lhes concedeu talento.

O que é mais desconcertante é constatar que enquanto ateus louvam involuntariamente a Deus, nós cristãos, louvamos voluntariamente (e muitas vezes, voluntariosamente) a nós mesmos! As músicas de maior sucesso nos círculos evangélicos são as que dizem a Deus como Ele deve agir ou ainda aquelas que são verdadeiras “odes a minha vitória”!

Portanto, se algum dos meus leitores à esta altura ainda está receptivo aos meus concelhos, recomendo a todos bons livros, boa música, boa comida e os bons filmes, sejam eles cristãos ou não.

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Foi tanto poder que eles foram ao chão!

De todo o nosso aparato sensorial, talvez seja a visão o sentido definitivo. Os olhos servem como nossos principais balizadores nos momentos em que estamos diante de uma bifurcação cognitiva, quando precisamos aceitar ou não algo como verdade. Podemos duvidar da audição, do olfato e do tato, porém para nós, a visão produz provas irrefutáveis!

Talvez por conta desta característica inegavelmente humana, temos visto inúmeras igrejas que se dedicam quase que exclusivamente ao desfile de fenômenos visíveis. Entre os vários eventos extraordinários, um dos que mais se fazem notar é a conhecida “unção do cai-cai”. Não há muita variação sobre o tema: Um pastor leva as pessoas ao chão, em um aparente estado de transe hipnótico, com uma palavra ou gesto impetuoso.

É curioso observar que o “performer” do vídeo abaixo não é um pastor evangélico, e sim um “mestre” em artes marciais que desenvolveu seu kiai a ponto do mesmo ser capaz de derrubar seus adversários sem precisar toca-los. Ele afirma utilizar apenas um “fluxo de energia” que emana de seu corpo.

Em semelhança à “unção do cai-cai”, parece que o kiai só surte efeito naqueles que crêem em seu poder, o que parece não ser o caso do lutador de MMA do vídeo abaixo:

Nossa fé não pode estar alicerçada nas coisas visíveis, pois estas são passageiras por natureza; em um momento estão a frente de nossos olhos, já em outro, não estão mais. Ora, o próprio conceito de fé, segundo o autor da carta aos Hebreus, é algo que independe de “visão”:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11:1)

Os que vivem esperando por eventos sobrenaturais, assemelham-se mais aos religiosos que solicitaram um sinal miraculoso a Cristo:

“Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas;” (Mateus 12:39)

O Senhor Jesus foi bem enfático em sua afirmação ao incrédulo Tomé, quando disse a ele que mais felizes são os que não o viram pessoalmente e mesmo assim, creram:

“Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29)

Caros irmãos, prodígios e maravilhas não são sinais da presença ou da aprovação de Deus. As artimanhas humanas, associadas ou não a poderes malignos, são capazes de coisas impressionantes.

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.”(Mateus 24:24)

Abraços fraternos,

Carlos Amorim

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A religião e Jesus em dois versículos

O relato do capitulo dezoito do evangelho segundo Mateus, mostra Jesus discursando a respeito da disciplina para com os insubmissos e do resgate aos perdidos. Nestes mesmos versos, vemos Pedro tomando a frente (como lhe era próprio), e indagando o Mestre:

“… Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” (Mateus 18:21)

Na verdade, Pedro estava tentando se mostrar “generoso”! Pois a tradição rabínica recomendava a concessão do perdão por até três vezes. Além disto, ele invoca o número sete, sempre associado a plenitude divina.

Jesus porém, transcende, transborda e extrapola os limites impostos pela tradição:

“… Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (Mateus 18:22)

Tenho uma estima especial por este texto, o que me leva a tentar reconstruir aquela cena em minha mente. Após lê-lo, costumo fechar os olhos… Neste momento, vejo o rosto de Pedro… Nele está estampada uma mistura de constrangimento, espanto e reverência…

E não somente isto! Eu me vejo refletido em Pedro! Com sua ânsia em demonstrar um bom desempenho e o intenso desejoso de saciar sua sede por aprovação; sua luta constante para impressionar os homens e surpreender Jesus com seus salamaleques religiosos.

Quão tolo Pedro foi e quão tolo eu sou! Invariavelmente é Jesus quem me deixa pasmo!

E eu nunca.. nunca.. nunca quero perder a capacidade de me assombrar diante dEle!

Carlos Amorim

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Após as prostitutas…

“… Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” (Mateus 21:31)

A forma como abordo alguns assuntos neste blog costuma resultar em uma quantidade considerável de querelas. Já cheguei a ser inquerido:

– “Por que você é tão duro com estes ‘homens de deus’ e tão complacente com os pecadores?”

A estes respondo: Não é um questão de adotar dois pesos e duas medidas, não é uma questão de usar de mais benevolência com uns do que com outros, é uma questão de amor e de justiça!

Creio que os religiosos do templo se sentiram extremamente desconfortáveis quando Jesus afirmou que as pessoas mais desprezadas daquela época, a saber, as prostitutas e os cobradores de impostos, entrariam adiante deles no reino de Deus. Posso até fantasiar um diálogo entre eles:

– “Como este ai pode afirmar que nós, homens santos, vamos chegar após estes pecadores miseráveis?”

É fácil imaginar como os senhores do templo se sentiram desorientados! Em um momento, eles estão sendo laureados pelos homens nas praças ou honrados com as primeiras cadeiras das sinagogas, e de repente se vêem relegados por Cristo, à um segundo lugar, atrás de pessoas “indignas”, perdendo a primazia à qual estavam tão bem acostumados.

Mas por que Jesus foi tão duro com os religiosos do templo e tão brando com as meretrizes e com os publicanos? Como disse anteriormente, por uma questão  de amor, pois cabe ao Bom Pastor buscar e curar as feridas das ovelhas perdidas (Mateus 18:13) e por uma questão de justiça…

“Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.” (Lucas 12:48)

Aos religiosos, muito foi dado! Conheciam as leis, e deliberadamente, se utilizavam delas para oprimir as pessoas. E é exatamente este o problema de muitos dos líderes da atualidade; pois foram agraciados com conhecimento bíblico, no entanto, torcem a Palavra em benefício próprio. Aqueles de ontem, assim como estes de hoje, caso não se arrependam, são dignos do mais severo juízo! (Apocalipse 22:18,19)

Que o Senhor tenha misericórdia!

Carlos

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Mãe comum, missão incomum

Dia das mães. Lembremos hoje do nome de Eunice, mãe de Timoteo, uma mãe com um testemunho exemplar e uma fé contagiante (IITm1:3-5). Ela era uma judia crente, mas que tinha um esposo grego, não convertido (At16:1). Provavelmente Eunice tenha se convertido durante a primeira visita de Paulo a Listra (At14:8-20). Mais tarde, o apóstolo vai elogiar o tipo de ensinamento que Eunice deu a Timóteo: “E que desde a infância, sabes as sagradas letras” (IITm3:15). È certo que foi a formação anterior de Timoteo dada por sua mãe, que o preparou tão bem para o ministério de evangelista, para o qual Deus o chamou por intermédio de Paulo.

Observemos então, alguns traços positivos na vida dessa ditosa senhora, que serve de grande inspiração para todos nós. Em primeiro lugar, o testemunho da vida cristã abundante se estabelece na família, influenciando seus membros, se alastrando de forma incontida e manifestando um tipo de fé contagiante e sem fingimento (IITm1:5). O santo contágio se espraiou no seio da família, alcançando o coração de Lóide, avó de Timóteo, o de Eunice e atingindo por “tabela”, a terceira geração, o jovem Timóteo. É verdade que o filho de Eunice foi levado a conhecer Jesus através da pregação de Paulo, tornando-se seu amado filho na fé (ITm1:2,18), mas Paulo somente regou uma fé especial que já estava germinada no coração do jovem crente, tendo sido adubada anteriormente, no ambiente de sua família, sob orientação das Escrituras Sagradas. Paulo depois viria a incentivar a perpetuação dessa cadeia de fé, encarregando Timoteo do dever de transmitir essa fé contagiante a “homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”, através de um discipulado consistente (IITm2:2), e assim, por meio de uma sucessão ininterrupta, o reino de Deus se expandiria na sociedade e no mundo de sua época. Em segundo lugar, a fé contagiante de Eunice é um poderoso incentivo para a exortação às famílias, para que essa influência poderosa não sofra nenhum agravo em seu processo de continuidade (IITm1:6). O ardoroso trabalho de ensinar a Palavra, de gastar tempo contando as histórias bíblicas, incutir os preceitos da palavra de Deus, dar testemunho pelo exemplo no dia-a-dia, gerar momentos de oração em família, são observâncias que devem continuar, nem que tenhamos de ”fazer das tripas, coração” como dizia minha saudosa mãe. Por isso, Paulo argumenta: “por esta razão, te admoesto que reavives (queimes) o dom de Deus que a há em ti” (IITm1:6). Alguém que recebeu tais ensinamentos, jamais poderá ser um cristão acomodado, antes, essa educação cristã deve gerar um filho cheio de ardor pela obra de Deus, um crente cujo coração é atiçado pelo fogo crepitante do Espírito Santo. Em terceiro lugar, essa fé contagiante deve sempre gerar no coração dos pais um senso enorme de gratidão, por ver o filho crescer no conhecimento e temor a Deus por si mesmo. Eunice assumiu o desafio de treinar o filho Timóteo nas Escrituras, mesmo sem o apoio do marido.Tal fidelidade a Deus deve ser um grande incentivo à fé para muitos pais que se encontram numa situação semelhante hoje, ao criar os filhos sozinhos, sem o cônjuge, ou na companhia de alguém que não compartilha o compromisso com Cristo e Sua Palavra. Depois que Timóteo se tornou um pastor cheio de Deus, Eunice deve ter tido uma gratidão incontida por ver seu filho cumprindo seus ensinamentos. Essa alegria incontida foi experimentada pelo apóstolo João, ao ver seus filhos na fé andando na verdade (no original grego, peripateo significa conduzir-se bem pela vida; fazer bom uso das oportunidades – IIIJo4), e essa deve ser nossa reação, ou sendo pais carnais ou pais espirituais, ao vermos nossos filhos bem direcionados para cumprirem todo o propósito de Deus para suas vidas.
Quero me dirigir agora a filhos ingratos, que diferentemente de Timóteo, são desobedientes aos pais e desatentos às necessidades de sua família. Jesus já falava sobre alguns jovens de seu tempo que espiritualizando suas ações perversas, se desculpavam por não darem o devido apoio financeiro e amoroso a seus pais. Diziam eles, que suas finanças estavam comprometidas com a corbã (Mc7:11). Pronunciando essa palavra, a “oferta” era santificada. Os filhos assim escapavam à responsabilidade moral de auxiliar os pais, dedicando, sob juramento, o sustento devido aos seus progenitores ao templo. Jesus conclui que aqueles que assim agem, jamais honraram a seus pais e a suas mães, antes, invalidam (grego ekirôsate tornar sem autoridade, nulo e sem efeito, cancelar) a Palavra de Deus em suas vidas (Mt15:6). Filhos que só vivem na igreja, que possuem cargos, ministérios e dons, mas negligenciam seus compromissos para com seus pais, não dando tempo, não cultivando amizade, não dizendo o quanto eles são amados, tem as promessas e as bênçãos de Deus invalidadas e canceladas em sua vida. Filho! Honre hoje e sempre sua mãe e seu pai, diga o quanto são importantes e quanto são amados por você, valorize sua família e receba prosperidade e vida longa (Ef6:2,3). Do contrário, as bênçãos da Palavra de Deus serão interrompidas. E não vai adiantar bater o pé, declarando que é filho do Rei.

por Manoel do Carmo Filho

Via Hajahope’s Blog

Amorim Comenta: O exemplo de Eunice se fortalece ainda mais diante das estatísticas atuais que demonstram que é muito mais difícil uma familia se chegar a Deus pelo exemplo da mãe do que pelo exemplo do pai. As mulheres, como sempre, precisam demonstrar o dobro de força e determinação para alcançar seus objetivos.

Vemos em nosso pais, milhares de familias cuja responsabilidade de educar, prover e conduzir os filhos a fé, recai unicamente sobre os ombros das mulheres (mães, avós, irmãs mais velhas…). Vemos em comunidades pobres, milhares de viuvas de maridos vivos, criando bravamente dezenas de milhares de órfãos de pais vivos! Estas mulheres são verdadeiras heroínas! Dou glórias a Deus por suas vidas! Dou glórias a Deus pelo exemplo de fé e perseverança de Eunice e Loide!

nEle

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