O Deus operário


Operarios de Tarsila do Amaral

"Operários" de Tarsila do Amaral

Existe algo que persegue todos os membros da espécie humana com uma obstinação quase canina. Em meio ao acosso alguns se esforçam para manter o ritmo, ao passo que muitos outros sucumbem a exaustão, caem e são alcançados. Refiro-me a dúvida!

Sei de uma destas incertezas que não encontra muitos obstáculos, estando ela no encalço de crentes ou de incrédulos. A diferença é que enquanto estes primeiros normalmente não ousam verbaliza-la, os últimos costumam proferi-la em tom de desafio – “Afinal, onde estava Deus durante as calamidades que assolaram minha vida?!?”

A priori, eu retrucaria esta irreverência afirmando que o Criador não precisa prestar conta de suas ações a nós ou a qualquer uma de suas criaturas. Entretanto, creio que a despeito dos sínicos, existem pessoas sinceras que realmente encontram-se atormentadas por certos questionamentos, e estas sim, merecem o mínimo de consideração.

Pois bem sabemos que o mundo encontra-se imerso em maldade, e que por este motivo o pensamento de que “se Deus de fato existe, Ele é indiferente ou inoperante” passa a ganhar ares lógicos e atrativos. Ainda assim, entendo que devemos ponderar se é realmente justo imaginar o Senhor como um glutão olímpico, que passa a eternidade esparramado em Seu trono, embriagando-se de vinho e fartando-se de ambrosia?

Para responder adequadamente a esta e a outras objeções, precisamos contemplar o auto-retrato que Deus revelou à humanidade. Para pinta-Lo, Ele escolheu o marrom terra, que habitualmente tinge a pele dos trabalhadores braçais, em detrimento do púrpura, destinado a realeza.

E ao fitarmos este quadro somos conduzidos a uma nova pergunta: O que a imagem terrena de Deus tem a nos dizer a respeito do Seu próprio caráter?

Na verdade, esta indagação começou a ser respondida bem antes do retrato divino ter se manifestado entre nós, como podemos constatar pela maravilhosa e inquietante profecia messiânica de Isaías.

“Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.” (Isaías 53:3)

A face de Deus que viveu entre nós como homem mortal, Emanuel, não era alguém que tempestivamente se dispunha a pegar no pesado, Ele foi de fato, um trabalhador experiente!

Ao compreender que Jesus é o próprio Deus em sua completude (Colossenses 2:9), desvelamos o traço laborioso da personalidade do Pai. Cristo faz questão de endorsar esta ideia através da seguinte declaração, dirigida aos religiosos que perseguiam-no por conta do respeito ao sábado:

“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (João 5:17)

Creio que, caso o Deus-Operário se deixasse interrogar por alguém que O acusasse de imobilidade, Ele graciosamente estenderia suas mãos; não só para exibir com orgulho os calos causados por incontáveis eras de trabalho árduo, mas principalmente, para mostrar os furos onde outrora haviam cravos,  os quais Ele aceitou receber por amor a humanidade.

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