O culto ao demérito e o BBB


A cada ano, a Rede Globo de Televisão ergue, não só um altar, mas uma enorme catedral em honra ao demérito. Todas as noites, “um Brasil de audiência” acomoda-se em frente a televisão para ver passar um desfile de grosserias, egocentrismo, maledicências, traições, etc… E para piorar, o mestre de cerimônia deste verdadeiro show de horrores, o outrora jornalista Pedro Bial, refere-se aos seus protagonistas como “nossos herois”. Um acinte!!

Ao que parece, os ocupantes “da casa mais vigiada do Brasil” são escolhidos a dedo, com um único propósito claro: De que as interações entre eles gerem situações que eu classificaria como “pouco ortodoxas”. É perfeitamente compreensível (embora não justificável), afinal, ninguém ligaria a TV para assistir a um pacífico jantar em família ou a um grupo de amigos envolvidos em uma conversa saudável. Não mesmo! Certa vez, Niki Lauda, ex-piloto de Formula 1, disse uma frase que é um reflexo desta realidade.

“Sei que a maioria do público quer ver acidentes. Mas uma boa parte vai ao autódromo interessado em ver uma boa competição”

Segundo a visão de Lauda, o que desperta o interesse da maioria dos espectadores de automobilismo (e de realities shows) é o extraordinário, o atípico, o fora do comum. A imagem do bólido desintegrando-se ao bater violentamente contra um guard rail é mais atraente do que a de um piloto cruzando em segurança a linha de chegada… Pode parecer cruel, e de fato é, pois muitos já perderam a vida deste modo!

A grande mídia conseguiu gravar de forma indelével no inconsciente coletivo a idéia de que o natural, o cotidiano, o típico e o rotineiro são coisas ruins e que por este motivo, devemos fugir deles assim como o diabo foge da Cruz!

Vejo moças que não anseiam mais freqüentar uma universidade para estudar e concluir seus cursos com louvor, e sim, para “causar” a bordo de seus micro-vestidos; Presencio rapazes sendo laureados por seus amigos por tomarem vodca pelos olhos ou por publicarem fotos ou vídeos indiscretos de suas ex-namoradas; Assisto pela TV uma repórter enaltecendo a família “moderna”, composta por dois “pais” ou duas “mães” e seus “filhos”.

Todos almejam ser como os “heróis” da televisão, que adotaram como lema de vida a frase “falem mal, mas falem de mim”. Este é somente mais um dos ecos do ocaso de uma sociedade que aceita a injustiça, conforma-se com o mal e cultua o demérito!

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

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