Um crente “comuna”


Notei o assombro de alguns, quando recentemente revelei meu alinhamento político no Twitter. Para muitos, é inconcebível um cristão que simpatiza com a dita “esquerda”! Afinal de contas, não são os socialistas “os inimigos numero um da liberdade religiosa”? Não são eles os algozes que aprovarão leis contra a Igreja? Não são os tais, comedores de criancinhas? Vermelho por acaso, não é a cor do chifrudo?

Bem, antes de mais nada, preciso dizer que não concordo com regimes ditatoriais como o da China ou da Coréia do Norte; e também, ao contrário do nosso atual presidente, não aplaudo pretensos ditadores como o Sr. Hugo Chavez.

Talvez, minhas motivações surpreendam alguns…

  • Sempre simpatizei mais com os barbudos maltrapilhos do que com senhores bem vestidos, polidos e de cara lavada;
  • Sempre acreditei que o pão deveria ser repartido com todos, igualmente (1 Coríntios 11:21,22);
  • Sempre cri que todos os cristãos são iguais, não há ninguém com prerrogativas maiores ou menores diante de Deus (Gálatas 3:28);
  • Nunca acreditei que o valor de um homem ou o seu grau de aprovação dante de Deus, deva ser medido por suas posses (Atos 3:6).

Considero o maior ato falho de Karl Marx ter dito que “a religião é o ópio do povo” (de certa forma, eu concordo com ele), pois a Igreja Primitiva foi uma das poucas comunidades, onde de fato, as pessoas “tinham tudo em comum” (Atos 2:44).

Concluo afirmando que a Cruz é o símbolo da minha redenção, e não a foice e o martelo! Minhas convicções políticas não são maiores que a minha fé em Jesus!

nEle, o Cristo que veio morrer por nossos pecados, e não foi o messias político que Judas esperava…

Carlos

Antes que comece a chover pedras, reafirmo que no próximo turno, não darei meu voto a Sra. Dilma Rousseff. Digo também que, não fui influenciado pelo FUD onipresente, minha decisão é baseada no que vi nos últimos 8 anos e não no que presenciei nos últimos 8 dias…

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7 pensamentos sobre “Um crente “comuna”

  1. oandarilho01 disse:

    Vejamos: “Sempre cri que todos os cristãos são iguais, não há ninguém com prerrogativas maiores ou menores diante de Deus” – isso não pressupõe falta de governo, falta de liderança.

    O maior ato falho de Marx foi tornar-se fã do satanismo e ter resolvido que a religião precisaria ser derrubada. O resto todo foi consequencia.

    No mais, “ter tudo em comum” não implica na apropriação forçada da coisa alheia, como é da prática comunista (vide MST). Um dos problemas com o comunismo é o desrespeito à propriedade privada (e aí, em última instância, a vida humana torna-se objeto desta cobiça).

    Temos também: “Nunca acreditei que o valor de um homem ou o seu grau de aprovação dante de Deus, deva ser medido por suas posses” – justo. Eu não acredito que o valor de um homem possa ser medido pela “utilidade” da sua vida, mas os socialistas/comunistas guiam-se justamente por essa valoração desumana (vide problemática do aborto e o próprio uso instrumental das minorias [raciais,sexuais, etc]).

    Finalizo com uma “provocação” 😉 :
    Diante de todas as evidências, tentar sustentar que o comunismo/socialismo seja conciliável com um ideal cristão de sociedade terrena é um posicionamento tão relativista quanto decidir-se por aceitar que todas as religiões igualmente conduzem à salvação, independendo do Cristo.

    • porele disse:

      Excelentes argumentos… Vamos aos contra-argumentos…

      Marx era ateu, não fã do satanismo… Vamos estabelecer alguns princípios básicos:

      Para adorar a Deus, é preciso conhecê-lo ou no mínimo aceitar sua existência. O mesmo vale para satanás. Marx negava a existência de qualquer ser transcendente… Portanto ele poderia até ser um “joguete” nas mãos do beiçudo… Mas classificá-lo como satanista é forçar a barra.

      No capitalismo não é diferente, o valor da sua vida é medido pela sua capacidade de produzir… Vide os cidadãos de “segunda classe”, que vivem a margem da sociedade pois não tem escolaridade ou treinamento suficiente para gerarem bens e serviços.

      O aborto é um absurdo, e este ardil de considerar fetos como meros “tecidos” é uma das coisas mais malignas que eu já ouvi… Perverso também é considerar pessoas como “recursos” (detesto esta designação, “recursos humanos”), que podem ser descartados ao menor sinal de oscilação na economia.

      Este texto é chato mesmo… Normalmente ao lê-lo as pessoas se focam nas afirmações e nunca nas negações… Vamos a elas:

      “…não concordo com regimes ditatoriais como o da China ou da Coreia do Norte; e também, ao contrário do nosso atual presidente, não aplaudo pretensos ditadores como o Sr. Hugo Chavez.”

      Não considero positivas as experiências de adoção comunismo/socialismo…

      “Considero o maior ato falho de Karl Marx ter dito que a religião é o “ópio do povo”

      Não concordo com o que disseram os maiores expoentes do comunismo/socialismo…

      “Concluo afirmando que a Cruz é o símbolo da minha redenção, e não a foice e o martelo!”

      Não adoto os símbolos comunistas/socialistas, nem me identifico com eles…

      Minha ideia de comunismo não passa disso, uma ideia… Uma noção idealizada que nunca foi posta em prática. Talvez por isso eu tenha votado em branco nas últimas eleições…

      De qualquer forma, agradeço mais uma vez pelo comentário super oportuno!

      Abraços!

      Carlos

      • oandarilho01 disse:

        Eu li faz uns meses um livro (tem até disponível online) que oferece indícios da conversão de Marx para uma apreciação do diabo. Não é difícil encontrar esse material. O autor do texto fez uma investigação que trouxe referências até a escritos da juventude do barbudo comunista.

        Hmm… não é bem isso. O capitalismo certamente acaba relegando muita gente à uma “segunda” ou “terceira” classes porque proporciona às empresas a liberdade de contratar profissionais capacitados em diferentes níveis de treinamento e estudo. Mas não acho que seja culpa do capitalismo a falta de instrução dessa gente “de baixo nível”. Entende o que quero dizer? Esse nivelamento não é causa ou meio, mas sim efeito de uma política que prejudica. Hoje é difícil não nos vermos presos a um círculo vicioso de estudo precário/salários de baixa renda, mas é importante compreender que não são as grandes empresas que pagam mais para quem sabe/produz mais as responsáveis pela contínua educação governamental de baixa qualidade. Basta olhar a diferença de qualidade entre estudo particular e público.

        Sim, posso ver que sua idéia de comunismo seja divergente dos cenários que já existiram. Minha discordância é justamente em sustentar que não possa existir outro cenário possível quando os princípios são os do comunismo/socialismo.
        O que você provavelmente entende por comunismo (baseado na prática dos primeiros cristãos, por exemplo), bem como o que eu comentei que pense sobre um sistema sem moeda, não é a mesma coisa que o comunismo elaborado e ensinado por Marx e seus comparsas. Por isso talvez seja melhor nem dar o mesmo nome.

      • porele disse:

        Como deu para perceber, o intuito do texto era realmente provocar. Como nosso meio cristão é majoritariamente povoado por partidários da direita conservadora, eu quis suscitar uma discussão sobre a “messianização” de um sistema de governo (como os comunistas/socialistas costumavam fazer, pois consideravam o estado o grande redentor).

        Pode parecer lengalenga comuna, mas não é preciso concordar com Marx para admitir que no capitalismo existe quem se beneficia de uma classe ignorante e necessitada… Este é o problema, se existem explorados é porque existem exploradores.

      • oandarilho01 disse:

        Sei. Eu não concordo que existam explorados, tomando o sentido pela etimologia. Até porque isso é discurso socialista, hehe.

        Volto a sustentar: os trabalhadores menos instruídos recebem menos que os outros, mas esse não é o problema. Se eles não conseguem se instruir mais, é por falta de tempo (nossa jornada de trabalho é exagerada… preferia que fossem 6h)(ok, isso pode ser culpa do capitalismo, mas nunca investiguei se alguém aqui já tentou mudar nem no que possa ter dado), falta de dinheiro (mas aí é culpa dos vários gastos que aquele trabalhador tem, nem todos relacionados ao sistema capitalista-corporativista. Afinal, os impostos são chicotes do governo) ou mesmo falta de interesse (que é um assunto que desvia um bocado do foco, mas vale mencionar).

        Não podemos descartar os esforços existentes das empresas, em treinar seu pessoal. Precisa ser adotado por uma maior parte delas, mas existe.

      • porele disse:

        Pois é cara… Dada a sua ultima fala, dissiparam-se as discordâncias entre a gente! heheheh

        Minha intenção não é enaltecer o socialismo (até porque, minha noção de socialismo é utópica) e sim apontar que o sistema oposto não é a solução para a humanidade…

        Fugindo um pouco do assunto (mas não tanto). Caso você não tenha assistido ainda, dá uma procurada no Youtube pelos seguintes “documentários” (aspas propositais):

        Ilha das Flores
        O Segredo das Coisas

        Dá uma olhada também, na animação “Vida Maria”, criada por um conhecido meu.

        Abraços!

      • oandarilho01 disse:

        Sim. Atingimos um bom termo quanto a esse assunto. Fiquei satisfeito.

        Desses nomes, conheço o “Ilha das Flores”. É sobre um lugar extremamente pobre, semelhante a um lixão, não é? Lembro de ter assistido num retiro de formação inspirado pela teologia da libertação, faz uns 10 anos.

        Até mais. Vou ler seus outros artigos jáe publicados e comentar, se for o caso.

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