O Amor que Deforma


Neste fim de semana, assisti um documentário que levou-me a questionar nossas relações com aqueles que dizemos amar.

O programa revelou uma faceta, até então desconhecida (pelo menos para mim) do garboso círculo de criadores de cães destinados a exposição. Pessoas que reservam grande parte de seu tempo e dinheiro a “melhoria” das raças as quais se dedicam.

O ápice da vida de um cachorro de exposição (e do seu dono orgulhoso) é vencer o prestigioso Crufts. Para alcançar este grande feito, os animais devem obedecer a rígidos padrões ditados pelo “The Kennel Club Breed Standards” (“Padrões de Raça do Kennel Club” em português).

Se perguntarmos a qualquer um destes criadores, que tipo de sentimento nutrem por seus animais, creio que a maioria responderá: Amor.

No entanto, estas pessoas tem uma forma bem peculiar de amar: Elas tentam, a todo custo, amoldar seus cães aos padrões que julgam ser os melhores.

Então, que mal há em rezar pela cartilha do British Kennel Club? Afinal, estes animais são muito bem tratados! Estão mais habituados a mimos e regalias do que a maioria das crianças de nosso pais!

O problema é que, os criadores não estão medindo esforços ou consequências em sua busca por uma estética idealizada…

Pastores alemães que nunca poderiam realizar o trabalho que lhes conferiu o nome por conta de anomalias nas patas traseiras, Pugs que mal conseguem respirar, Boxers que sofrem de epilepsia e graves problemas cardíacos, etc…

Os pobres animais são reduzidos a caricaturas! Deformados em nome de uma aparência considerada “mais atraente e correta”.

Será que isto é realmente amor? Será que amar é manipular o outro até torna-lo algo que preencha nossos anseios e expectativas?

E com os que estão ao nosso redor, é diferente? Amamos as pessoas de fato, ou uma versão idealizada do que elas podem se tornar?
Será que não estamos destruindo suas personalidades e oprimindo as características que as tornam únicas?
Por que é sempre o outro que tem que se adaptar ao nosso jeito de ser? Por que nunca cedemos?
Submetemos as pessoas próximas, à bigorna e ao malho! Com o único intuito de encaixa-las em nossos próprios padrões…

Este é o amor que impõe condições…

Paulo escreveu a igreja de Corinto sobre a supremacia do amor:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

(I Coríntios 13:4-7)

Vejam!! Observem!! Paulo demonstra que o amor é exatamente o contrário de tudo isto!! Destacarei alguns pontos…

  • O amor é sofredor, pois prefere sofrer a causar sofrimento!
  • O amor é abnegado, não busca os seus próprios interesses!
  • Não há injustiça no amor!
  • Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…

Por que então, teimar em seguir os nossos próprios padrões egoístas e não o padrão de Deus?

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3:16)

É este o modelo divino! O amor incondicional! Que transforma e não deforma!

dEle, por Ele e para Ele

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Um pensamento sobre “O Amor que Deforma

  1. Zé Luís disse:

    Tema difícil.

    Ótimo post

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