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Muito prazer, meu nome é otário…

Dom Quixote

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d’água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
Aerodinâmica num tanque de guerra,
Vaidades que a terra um dia há de comer.
“Ás” de Espadas fora do baralho
Grandes negócios, pequeno empresário.

Muito prazer me chamam de otário
Por amor às causas perdidas.

Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

Tudo bem… Até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer… Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

-x-

Uma singela homenagem a todos aqueles “otários” que ainda persistem em lutar pelas causa “perdidas”. Se pensar como eu penso é ser otário, então… Muito prazer, meu nome é otário!

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Quando um palhaço fala sério

“…porque eis que o reino de Deus está entre vós.” (Lucas 17:21)

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O vencedor

Nunca fui um desportista dos mais habilidosos, contudo, sempre gostei de esportes – muito mais de acompanha-los pela TV do que propriamente pratica-los – talvez por isso, o campeonato pan-americano que se desenrola na cidade mexicana de Guadalajara, me encha tanto os olhos!

Vejo competições desta natureza como imensas peças teatrais, onde o protagonista é sempre a alma humana e a cada ato temos vislumbres dos extremos que esta pode alcançar. Enquanto alguns exultam, orgulhosos das medalhas que pendem em seus pescoços, outros escondem o rosto com as mãos, lamuriosos por não terem alcançado o êxito almejado.

Creio que além do sentimento de falha, os atletas vencidos vivenciam uma crise de significância, pois raramente alguém que termina uma prova em quarto lugar, será louvado por seus esforços heroicos. A história da humanidade quase sempre foi contada pelos vencedores. Os derrotados e conquistados dificilmente tiveram a oportunidade de dar suas versões dos fatos.

As competições não se restringem aos eventos esportivos, pois desde muito cedo, sentimo-nos pressionados a provar que somos mais valorosos que os nossos semelhantes. Basta observar um grupo de jovens mães para vermos como cada uma delas se gaba por seu rebento ter engatinhado ou dito as primeiras palavras antes que os demais. Na escola, cobiçamos ser o melhor aluno da classe, o craque do time de  futebol ou o mais eloquente orador. E por fim, já na vida adulta, vemos nossos colegas de trabalho mais como adversários do que como companheiros.

A rivalidade entre seres humanos não é uma invenção moderna, ela remonta a tempos ancestrais, desde que Caim percebeu que a oferta de seu irmão foi melhor aceita por Deus que a sua própria (Gênesis 4:5). Aparentemente o sangue derramado de Abel marcou indelevelmente a alma humana, com efeito, que até a nossa piedade é permeada por um sentimento de superioridade, pois, ficamos aliviados ao encontrar uma pessoa em uma situação mais complicada que a nossa.  Não é difícil ouvir de amigos que tentam nos consolar: “existe gente em condições piores que a sua”.

O “cristianismo” hodierno ao invés de coibir (Gálatas 5:26), parece incentivar a emulação. Alguns líderes fazem uso de trechos da Bíblia – devidamente tirados do contexto – para incutir na mente de seu secto que estes devem, por obrigação, ser sempre mais bem sucedidos que os demais. E na corrida desenfreada para ser um “mais que vencedor”, os ditos cristãos ficam mais preocupados em romper uma fita com o peito do que quebrar as algemas que manietam os pés do próximo.

Grande parte dos ditos evangélicos anseia mais pelo palco do que pela cruz! Digo porém que deveríamos buscar o exemplo de Jesus, que apesar de ter a mente voltada para o céu, mantinha Seus olhos atentos à aqueles que caiam as margens do caminho. Cristo sentia-se irresistivelmente atraído por “perdedores”! E Ele não os olhava como pessoas de segunda classe, e sim, dava-lhes o devido valor.

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e mos enxugou com os seus cabelos.
Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.
Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. ” (Lucas 7:44-46)

Diante disto, sinto-me constrangido pelo modelo de Cristo! Gostaria eu de não ter que competir, de não ter que correr tanto, de dedicar mais tempo as pessoas e menos as coisas…

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

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O louvor involuntário

“Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR.” (Salmos 150:6)

Louvor é antes de mais nada, uma expressão de gratidão e reconhecimento… Seja ela qual for! Assim, causa-me um certo desconforto ouvir alguém fazendo referência ao ato de louvar como um sinônimo de cantar. Esta pequena confusão terminológica nos conduz a um segundo ponto: A polarização “Musica do Mundo” vs “Musica Cristã”.

É curioso observar que as discussões acaloradas que hoje povoam muitos blogs e sites cristãos, não tinham espaço no meio da dita “igreja primitiva”! Não encontramos no relato bíblico neotestamentário nenhuma recomendação quanto a não consumir cultura “secular”, outrossim, vemos Paulo, que era bom conhecedor tanto da cultura judaica como da cultura greco-romana, não demonstrando nenhum pudor em citar poetas e escritores “mundanos” em seus escritos.

  • Paulo citou um verso usada em uma das peças do dramaturgo grego Menandro em 1 Co 15:33
  • O mesmo Paulo também fez claras referencias a poetas pagãos em At 17:28 e Tt 1:12

O que justifica a abstinência da boa música secular? De bons filmes seculares? De bons livros seculares? Da boa comida secular (Sim! Pois considero a culinária uma arte! E como eu creio que poucos judeus ortodoxos que só se alimentam de comida kosher certificada lerão este texto,  você provavelmente deve receber constante e alegremente este tipo de arte!).

O certo é que a criação por si só, em sua forma e função, nos fornece um testemunho vívido e belo da glória de Deus! O canto de uma ave não é entoado em nenhuma língua compreensível pela espécie humana, mas exalta o nome Daquele que é e que era e que há de vir, o farfalhar das folhas de uma árvore ao vento não formam palavras, mas celebram o Mestre de toda a criação!

E afinal qual é a fonte dos dotes artísticos? Da criatividade de Leonardo da Vinci, da poesia de Vinicius de Moraes, do virtuosismo de Yo-Yo Ma? Será que o Deus que nos equipou com inteligencia e sensibilidade permitiria que estes dons fossem utilizados para honrar ao diabo?

A grande verdade é que querendo ou não, quem produz a boa arte, bendiz ao Altíssimo! Portanto, mesmo ateus confessos como Nando Reis e Chico Buarque, ao comporem suas belas canções, elevam o nome dAquele que lhes concedeu talento.

O que é mais desconcertante é constatar que enquanto ateus louvam involuntariamente a Deus, nós cristãos, louvamos voluntariamente (e muitas vezes, voluntariosamente) a nós mesmos! As músicas de maior sucesso nos círculos evangélicos são as que dizem a Deus como Ele deve agir ou ainda aquelas que são verdadeiras “odes a minha vitória”!

Portanto, se algum dos meus leitores à esta altura ainda está receptivo aos meus concelhos, recomendo a todos bons livros, boa música, boa comida e os bons filmes, sejam eles cristãos ou não.

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Iron Man, o deus de vocês!

O principal tema da musica Iron Man, escrita por Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward é vingança. Só este fato já torna inconcebível imaginar que esta canção, que chegou pela primeira vez as vitrolas do grande público lá pelos idos de 1970, nos sulcos de um compacto entitulado “Paranoid”, está cheia de referências (ainda que indiretas) a alguém que seus autores acreditavam ser Jesus Cristo.

Nos primeiros versos, vemos alusões (bem veladas, diga-se de passagem) a incompreensão e ao desprezo sofridos por Cristo…

Ele perdeu a cabeça?

Ele pode ver ou ele está cego?

Pode ele caminhar sobre tudo,

E caso ele se mova, ele cairá?

Ele está vivo ou morto?

Tem ele pensamentos em sua cabeça?

Nós somente passaremos por ele

Por que deveríamos nos preocupar?

No trecho a seguir, percebemos referências à Sua morte, sepultamento (no seio da terra, no campo magnético), ressurreição (a transformação de seu corpo) e a Seu retorno, em um futuro apocalíptico…

Ele se transformou em aço

No grande campo magnético

Onde ele viajou pelo tempo

Para o futuro da raça humana

Vemos o revanchismo, não próprios do Jesus verdadeiro, que perdoou os seus algozes enquanto ainda estava na cruz…

Ninguém o quer

Ele encara o mundo

Planejando sua vingança

Que ele brevemente executará

O tempo é agora

Para Homem De Ferro espalhar o medo

Vingança da sepultura

Matar as pessoas que ele um dia salvou

Ninguém o quer

Poucos viram sua face

Ninguém o ajuda

Agora ele quer sua vingança

Botas pesadas de chumbo

Enchendo suas vítimas de medo

Correndo tão rápido quanto elas podem

O Homem De Ferro vive novamente!

Alguns podem alegar que sou um paranóico religioso, e que esta musica de fato, não faz menção alguma ao Filho Unigênito de Deus…

Digo porém, que o mote deste artigo não é criar uma nova teoria conspiratória, e sim, expor o fato de que nós cristãos, somos os principais responsáveis por perpetuar na mente dos não-cristãos a idéia de que o Deus que cremos é um deus cruel e vingativo!

Não faz muito tempo (por volta de janeiro, do ano passado), que o cônsul do Haiti em São Paulo afirmou categoricamente que, tanto o problema da pobreza na África quanto a tragédia do tsunami no Haiti são sui generis, ou seja, tem origem étnica. Segundo ele, paira sobre aqueles povos uma maldição  ocasionada pelas crenças herdadas de seus antepassados. Mais impressionante que a declaração do cônsul, foram os ecos que ela produziu em diversos blogs e templos evangélicos! Os corpos de milhares de haitianos nem haviam sido sepultados e muitos líderes e articulistas evangélicos reverberavam com empolgarão as palavras do magistrado. Mais recentemente, durante a catástrofe ocorrida no Japão, opiniões semelhantes foram emitidas.

Ora, eu bem sei que o Senhor é soberano para impetrar Sua justiça da forma que julgar melhor, mas também estou ciente que o sol se põe sobre os bons e os maus (Mateus 5:45), que tais coisas podem ocorrer tanto aos justos como aos injustos (Eclesiastes 9:2) e que Ele não tem prazer na morte dos infiéis (Ezequiel 18:23). Em resumo, meu Deus não é o Iron Man!

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem…” (Lucas 23:34)

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