Por conta do teor crítico de muitos de meus textos, alguns dos que acompanham este humilde blog podem imaginar-me como uma espécie de “meta-evangélico”, que fala a respeito das igrejas evangélicas com propriedade, pois as enxerga melhor pelo lado de fora. Bem, esta idéia não corresponde completamente a verdade… Tentarei explicar alguns de meus pontos de vista.
Antes de mais nada, entendo por “Estruturas” o cristianismo organizado, com suas hierarquias, formas de governo, etc… É a chamada “igreja temporal”, pois é subordinada ao tempo e à todas as implicações que este traz (mudanças culturais, políticas, filosóficas, etc…). A Igreja “organismo vivo”, aquela contra a qual as portas do inferno não prevalecem, esta sim, é a eterna.
Entendidos os termos, tentarei ser curto e grosso: Eu ainda creio nas “Estruturas”!
Não ousaria apontar-lhes o dedo e afirmar que delas não sobrarão “pedra sobre pedra”. E olha que tenho motivos para odiá-las, já que houve um momento em que fui engodado pelas teias tecidas por uma delas. Por conta disto, cheguei a considerar uma vida cristã “fora da caixa”, mas por fim, os caminhos desta vida levaram-me a fazer as pazes com as “estruturas”. Ainda assim, apesar de “reconciliados”, procuro enxerga-las através das lentes do discernimento. Talvez por conta disto, eu tenha consciência de suas crises de identidade crônicas:
- Com frequência, dizem-se dignas da mesma reverência que era dispensada ao templo judaico, e em outro momento, querem ser vistas como o ajuntamento de pessoas dos primórdios do cristianismo…
- Por vezes, querem se apoderar do epíteto “casa de Deus”, para depois caírem em si e darem a Deus a casa que Ele mesmo escolheu…
- Confundem constantemente seus manuais de etiqueta (moral e bons costumes) com o Evangelho…
- etc…
Conflitos existênciais a parte, se pretendemos ser honestos, precisamos admitir que o poder de mobilização e a organização do cristianismo estruturado, contribuem, e muito, para o bem estar das comunidades que o cercam.
Também é necessário reconhecer o valor de alguns ministros misericordiosos, que amam a Deus e demonstram preocupação com o rebanho que lhes foi confiado.
Preciso dizer ainda, que nutro um apreço especial pela história das congregações cristãs; Entendo que muito sangue e suor precisou ser derramado para escreve-la.
E por fim, digo que as tais “estruturas” não são tão estéreis como alguns podem afirmar, pois em meio a muitas folhas secas e espinhos, alguns bons frutos brotaram de seus ramos, tais como C. S. Lewis, Henry Maxwell, Spurgeon, Henri Nouwen, A. W. Pink, Desmond Tutu, David Wilkerson, John Piper e uma multidão de anônimos, que serviu, e ainda serve, de instrumento nas mãos de Deus para o resgate de muitas vidas… Inclusive da minha!
