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E Se (Stênio Marcius)

A figueira não floresce
Não há fruto na videira
O produto da oliveira mente

Rios, campos não produzem
O curral está vazio
O aprisco está deserto

Tudo isso se passando e o profeta mesmo assim vai se alegrando em Deus

Mas e se fosse comigo
Pra quê mesmo que eu vivo
Onde está minha alegria?

E se a dor for minha sina
Será que ainda faço rima
Canto alegre a melodia?

E se eu perdesse tudo será que contudo me alegraria em Deus?

Eu quero ser, não quero ter
Eu quero crer, não quero ver

Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus!

Viver e só de Ti viver
Morrer ansioso por te ver
É minha oração
É assim que eu queria ser

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As feridas de amor

O trecho a seguir é parte de um conto chamado “O Gigante Egoísta”, do escritor irlandês, Oscar Wilde. Sua narrativa fala de um gigante que possuía um belo jardim, e de um grupo de crianças que desejava fazer daquele lugar seu recanto de brincadeiras. Como o próprio título sugere, o tal gigante não tinha a menor intenção de repartir as delicias de sua propriedade com ninguém, inclusive com aquelas crianças. Até o momento em que ele percebeu qual era a fonte de vida e beleza de seu prezado jardim.

De repente, esfregou os olhos, maravilhado, e olhou e tornou a olhar. Era realmente uma visão maravilhosa. No canto mais afastado do jardim via-se uma arvore toda coberta de alvas e belas flores. Seus ramos eram cor de ouro e frutos prateados pendiam deles e por baixo estava o menininho que ele amara.

O Gigante desceu as escadas a correr, com grande alegria, e saiu para o jardim. Atravessou correndo o gramado e aproximou-se da criança. E quando chegou bem perto dela, seu rosto ficou vermelho de cólera e perguntou.

— Quem ousou ferir-te?

Pois nas palmas das mãos da criança viam-se as marcas de dois cravos e as marcas de dois cravos nos pequeninos pés.

— Quem ousou ferir-te? — gritou o Gigante —. Dize-me, para que eu possa tirar minha grande espada e matá-lo.

— Não — respondeu o menino —. São estas as feridas do Amor.

— Quem és? — perguntou o Gigante, sentindo-se tomado dum grande respeito e ajoelhando-se diante do menininho.

E o menino sorriu para o Gigante e disse:

— Tu me deixaste brincar uma vez em teu jardim, hoje virás comigo para o meu jardim, que é o Paraíso.

E quando as crianças chegaram correndo naquela tarde, encontraram o Gigante morto sob a árvore toda coberta de alvas flores.

Eu me pergunto: Quem é o gigante??

Creio que é o nosso próprio egoísmo, a aridez do nosso coração, a arrogância que permeia nosso ser e o nosso senso de justiça que nos incita a brandir nossas espadas e cortar quantas orelhas forem necessárias!

Até ficarmos diante de um menino pequeno, frágil e ferido… Que nos faz cair de joelhos diante dEle, e morrer…

Amém!

Carlos

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Iron Man, o deus de vocês!

O principal tema da musica Iron Man, escrita por Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward é vingança. Só este fato já torna inconcebível imaginar que esta canção, que chegou pela primeira vez as vitrolas do grande público lá pelos idos de 1970, nos sulcos de um compacto entitulado “Paranoid”, está cheia de referências (ainda que indiretas) a alguém que seus autores acreditavam ser Jesus Cristo.

Nos primeiros versos, vemos alusões (bem veladas, diga-se de passagem) a incompreensão e ao desprezo sofridos por Cristo…

Ele perdeu a cabeça?

Ele pode ver ou ele está cego?

Pode ele caminhar sobre tudo,

E caso ele se mova, ele cairá?

Ele está vivo ou morto?

Tem ele pensamentos em sua cabeça?

Nós somente passaremos por ele

Por que deveríamos nos preocupar?

No trecho a seguir, percebemos referências à Sua morte, sepultamento (no seio da terra, no campo magnético), ressurreição (a transformação de seu corpo) e a Seu retorno, em um futuro apocalíptico…

Ele se transformou em aço

No grande campo magnético

Onde ele viajou pelo tempo

Para o futuro da raça humana

Vemos o revanchismo, não próprios do Jesus verdadeiro, que perdoou os seus algozes enquanto ainda estava na cruz…

Ninguém o quer

Ele encara o mundo

Planejando sua vingança

Que ele brevemente executará

O tempo é agora

Para Homem De Ferro espalhar o medo

Vingança da sepultura

Matar as pessoas que ele um dia salvou

Ninguém o quer

Poucos viram sua face

Ninguém o ajuda

Agora ele quer sua vingança

Botas pesadas de chumbo

Enchendo suas vítimas de medo

Correndo tão rápido quanto elas podem

O Homem De Ferro vive novamente!

Alguns podem alegar que sou um paranóico religioso, e que esta musica de fato, não faz menção alguma ao Filho Unigênito de Deus…

Digo porém, que o mote deste artigo não é criar uma nova teoria conspiratória, e sim, expor o fato de que nós cristãos, somos os principais responsáveis por perpetuar na mente dos não-cristãos a idéia de que o Deus que cremos é um deus cruel e vingativo!

Não faz muito tempo (por volta de janeiro, do ano passado), que o cônsul do Haiti em São Paulo afirmou categoricamente que, tanto o problema da pobreza na África quanto a tragédia do tsunami no Haiti são sui generis, ou seja, tem origem étnica. Segundo ele, paira sobre aqueles povos uma maldição  ocasionada pelas crenças herdadas de seus antepassados. Mais impressionante que a declaração do cônsul, foram os ecos que ela produziu em diversos blogs e templos evangélicos! Os corpos de milhares de haitianos nem haviam sido sepultados e muitos líderes e articulistas evangélicos reverberavam com empolgarão as palavras do magistrado. Mais recentemente, durante a catástrofe ocorrida no Japão, opiniões semelhantes foram emitidas.

Ora, eu bem sei que o Senhor é soberano para impetrar Sua justiça da forma que julgar melhor, mas também estou ciente que o sol se põe sobre os bons e os maus (Mateus 5:45), que tais coisas podem ocorrer tanto aos justos como aos injustos (Eclesiastes 9:2) e que Ele não tem prazer na morte dos infiéis (Ezequiel 18:23). Em resumo, meu Deus não é o Iron Man!

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem…” (Lucas 23:34)

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Os tortuosos corredores e a Porta Estreita

Infelizmente, não são poucos os que confundem os tortuosos corredores dogmáticos com a porta estreita… Eu peço licença para compartilhar com vocês algumas coisas que aprendi durante estes (poucos) anos, nos quais tenho tentado andar sobre as pegadas de Cristo…

Os tortuosos corredores lhe imputam culpa…

A Porta Estreita lhe retira a culpa…

Os tortuosos corredores lançam mãos às pedras…

A Porta Estreita diz – “Nem eu também te condeno” – …

Os tortuosos corredores, apesar de longos, são exclusivos…

A Porta Estreita, apesar de apertada, é inclusiva…

Os tortuosos corredores são falastrões loquazes, sempre tendo algo a dizer sobre todos os assuntos…

A Porta Estreita muitas vezes fica em silêncio, como convém a uma porta…

Os tortuosos corredores são pintados constantemente com o verniz da (falsa) piedade…

A Porta Estreita tem seu umbral alicerçado no amor incondicional e na compaixão verdadeira…

Nos tortuosos corredores eu me perdi…

Na Porta Estreita eu fui achado…

Os tortuosos corredores são só discursos…

A Porta Estreita é uma pessoa!

Aleleuia!

Carlos Amorim

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Meu coração é um prostíbulo

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9)

 

Nas Escrituras, o coração (do grego καρδια, kardia) representava o que conhecemos hoje por alma; a respeito desta, o escritor e apologista cristão C.S. Lewis escreveu:

“Você não tem uma alma; você é uma alma. Você tem um corpo.”

Segundo o sábio irlandês, não são nossas cascas baseadas em carbono que nos definem, e sim, nossos sentimentos e aspirações. Talvez seja este, nosso maior problema…

Cristo não nos achou doentes ou debilitados… Estávamos mortos! (Efésios 2:1) Apesar disto, por Sua graça redentora fomos resgatados! Ainda assim, o fantasma do velho homem nos assombra, pois nossa natureza caída tende ao hedonismo. Desejamos satisfazer os nossos ventres, aplacar nossas vontades, viver em função do prazer inconseqüente…

Os poetas já desconfiavam, todavia, a Bíblia já afirmava: O coração não é digno de confiança!

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” (Mateus 15:19)

Ainda existem aqueles que se valem de sortilégios para tentar justificar sua voluptuosidade. Estes insistem no clichê anti-cristão de “seguir o coração”…

“Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” (Romanos 16:18)

Prefiro ser um pecador sincero (e arrependido) a ser uma quimera de “santo”. Por isso caros amigos e irmãos, falo isto sem o menor pudor: Meu coração é um poço de imundícia, um esgoto à céu aberto, o mais baixo dos meretrícios!

Aos que se chocaram com minha confissão, recomendo a leitura de algumas das cartas daquele que se declarou como “o principal dos pecadores” (1 Timóteo 1:15)…

 

De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.

Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.

Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.

(Romanos 7:17-20)

 

nEle, que nos dá meios de suportar as tentações (1Coríntios 10:13)

Carlos

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