Posted in dezembro 2009

A Oração do Teologo

Senhor Deus…

Não me negue…

O deleite de conjecturar sobre o Teu agir

O prazer de formular equações acerca do Teu caráter

A deliciosa matemática da argumentação apologética

Perdoa-me…

Por tentar Te defender

Por tentar me apropriar de Ti

Por tentar coloca-Lo em uma proveta

Por tentar torna-Lo um mero objeto de estudo… Quando Tu só desejava ser meu Pai

Ensina-me…

A entender que Teu Evangelho é simples

A entender as sutilezas da Tua atuação

A entender a singeleza do Teu amor

A entender que a lógica fria é incapaz de contemplar a Tua graça

A entender que nem todas as coisas estão ao alcance da minha compreensão

A aceitar o fato de que é impossível racionalizar o escândalo da Cruz

Obrigado, meu Pai, amém

Etiquetado , ,

Um samaritano próximo de você

Os judeus ortodoxos viam nos samaritanos um povo mestiço, corrupto e introdutor de elementos pagãos ao judaísmo. Era tamanho o desprezo dos israelitas para com os seus vizinhos, que uma certa mulher samaritana, ao encontrar-se com Jesus, ficou perplexa quando Ele, sendo judeu, lhe dirigiu a palavra (João 4:9).

Em outra ocasião, levantou-se dentre os discípulos de Jesus um doutor da lei, e inquiriu-lhe a respeito da herança da vida eterna. Entre idas e vindas, o dialogo descambou na seguinte questão:

- E quem é o meu próximo?

Diante desta indagação, Jesus contou-lhe a “Parábola do Bom Samaritano” (Lucas 10:30-37).

Ao final, foi Jesus quem perguntou-lhe:

- Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

Respondeu, pois, o mestre da lei:

- O que usou de misericórdia para com ele.

E concluiu Jesus:

- Vai, e faze da mesma maneira.

Imagino o desconforto do sujeito, sendo ele mesmo uma autoridade dentre os israelitas, vendo que na ilustração de Jesus, outras figuras “respeitadas” como o levita e o sacerdote, simplesmente ignoraram aquele que jazia a beira do caminho. Por outro lado, naquele, que segundo o pensamento vigente, não se encontraria nada de bom, achou-se piedade para com um desconhecido.

No domingo passado (13/12/2009) vi a concretização desta parábola de Cristo. Uma moradora de rua, Railane Andressa Silva de Jesus, ninguém especial, só mais uma, dentre os milhares de invisíveis que vagam pelas ruas de nossas metrópoles, transformou-se em protagonista de um resgate insólito. Railane, não temendo por sua própria vida,  atacou um homem que preparava-se para estuprar uma criança de quatro anos em um matagal próximo a via Anchieta, em São Bernardo (SP).

Imagino até, que muitos estranharam a forma com que o homem conduzia a criança, mas pensaram consigo mesmos:

- “Não é da minha conta…”

Alguns chegaram a imaginar quais eram as suas intenções, mas não quiseram se arriscar… Pessoas de bem, quem sabe até alguns cristãos confessos…

Negligentes, isto sim!! Não só por fazer vista grossa para esta quase tragédia (do possível estupro de uma criança) mas para o drama diário das milhares de Railanes de nosso pais…

Você não é o próximo simplesmente por ser, mas por se fazer! É um ato volitivo!

Façamos ecoar portanto, as palavras de Jesus:

- Vai, e faze da mesma maneira.

dEle, por Ele e para Ele

PS: Para saber mais sobre este caso, clique aqui

Etiquetado , ,

Os pescadores de homens

Hoje vivemos uma época em que o evangelismo deve ser “impactante”, as igrejas preocupam-se em gerar o maior numero de “convertidos” no menor espaço de tempo possível. O resultado disso são as mega-denominações compostas de muitos mega-templos presididos por seus seus mega-pastores que fazem uso dos dízimos e das ofertas para alimentam sua megalomania consumista!

O interessante foi Jesus, ao encontra os irmãos Simão (Pedro) e André as margens do mar da Galileia, ter utilizado a figura de um pescador para tipificar o trabalho de evangelização.

“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mateus 4:19)

Ora, a pescaria é uma atividade cansativa. Demanda muito tempo e algum esforço físico e mental:

  • Os incontinentes e impacientes precisam lutar contra o ímpeto mover-se constantemente;
  • Os falastrões devem aprender a calar-se em alguns momentos;
  • Os ignorantes devem aprender sobre as espécies de peixes (como e quando pesca-los);
  • Os preguiçosos devem tomar consciência de que a boa pescaria é feita logo cedo;
  • Os medrosos devem controlar seus temores a respeito do que virá preso as redes.

A pescaria, segundo o padrão bíblico, é por natureza artesanal e demorada. Os peixes quando trazidos a tona debatem-se, alguns conseguem voltar para a água, não raras as vezes, lutam pela única vida que já conheceram, brigam para não serem tirados da escuridão do lago donde nasceram…

Porem, muitos tem optado por uma modalidade mais “impactante” de pescaria: A que faz uso de dinamites!

Apesar de ser ilegal, é a forma mais eficiente de obter uma grande quantidade de peixes em um curto espaço de tempo! Basta jogar o explosivo na água e BUUUUM!! Logo os escamosos estarão boiando, prontos para serem capturados, sem oferecer a menor resistência! Melhor do que achar dinheiro em calçada alta!!

Diriam os demolidores do “evangelho”:

- “Estes ai, são uns medíocres! Felizes com seus ‘ministériosinhos’! Demoram um dia todo para pegar poucos peixinhos em suas redes! E os poucos que capturam são aqueles doentes, que buscam ar na superfície, nós no entanto, pescamos os mais belos e robustos!”

Assim fazem as igrejas que apelam para mega produções de luz e som. O pregador está mais para um show man do que para alguém que está preocupado em fazer uma exposição coerente da Palavra!

É de fato, gerada uma “fé”… “Fédemais”! Rasa, que vem unicamente da emotividade, do momento, da beleza dos louvores ou da impostação da voz do pastor… Não obstante, a Bíblia procura nos ensinar de outra forma…

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Romanos 10:17)

Creio que seria de uma ortodoxia burra, rejeitar qualquer recurso da modernidade como forma de auxiliar a pregação do Evangelho, haja visto que, no momento utilizo um Blog para transmitir esta mensagem. No entanto, nem Jesus, nem os apóstolos possuíam templos com ar-condicionado, equipados com palcos especialmente iluminados, nem tinham a disposição ministérios de louvor pop-gospel. Utilizavam somente a Palavra! E é esta a Palavra de vida eterna, O Verbo que se fez carne e habitou entre nós, o próprio Jesus! Glórias a Ele!

dEle, por Ele e para Ele!

“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mateus 4:19)
Etiquetado

Sou um crente SAFADO!

Recentemente fui interpelado, por alguém que considero ser um irmão na fé, a respeito do meu posicionamento frente a atual situação das igrejas (e.g denominações, e não da Igreja) e seus líderes. Possivelmente eu não fui muito hábil em transmitir minhas ideias, talvez alguma palavra mais ríspida tenha me escapado ou algum texto tenha adquirido (indesejavelmente) um sentido desrespeitoso, pois este mesmo irmãozinho, erguendo sua voz, classificou-me como um “Crente Safado”.

Bem, sou obrigado a concordar com ele… Sim, eu sou um Crente Safado!! Vejamos porquê…

Segundo o dicionário Aurélio:

Safado é o particípio do verbo safar. Safar significa escapulir, esquivar-se, fugir. A palavra deriva do espanhol zafar, através do galego, çafar. Originalmente é possível que tenha vindo do árabe, pela palavra zah, que significa ir para longe.

Diante desta definição, vejo que de fato…

por meio do Evangelho Verdadeiro esquivei-me de uma vida de alienação a Deus;

por meio da Graça Redentora de Jesus, escapei das chamas do inferno que me aguardavam;

por meio do Amor Incondicional de Deus, fui liberto da ação do pecado que me oprimia;

por conta de todas estas coisas, hoje eu sou livre!! Da culpa, do medo, do ódio…

No entanto, sou obrigado a discordar desta mesma definição quando ela diz respeito a uma postura escapista e medrosa dos que dizem – “Eu vou para o céu e o mundo é que se dane!” – pois…

Não fujo de um debate, as ideias tem que ser postas a mesa, não faço uso do “vamos orar” como uma forma de escapar de uma conversa franca;

Não fujo a responsabilidade de confrontar quem for preciso, mesmo os tais “ungidos”, em defesa do Evangelho Verdadeiro (pois assim fizeram os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo);

Não fujo de eventuais conflitos que minha postura possa causar, por conta de interesses contrariados;

Não fujo do dever de acolher os enfermos, levantar os caídos, receber os miseráveis, visitar as prostitutas e os drogados, e chorar com os que choram…

Não fujo da obrigação de denunciar, não só de anunciar, pois concordo com o que certa vez escreveu Edmund Burke:

“Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada.”

Estou longe de atingir “a estatura de varão perfeito”, admito não cumprir com a regularidade ideal todos os deveres que minha condição de seguidor de Cristo exige,  não obstante a isto,  tenho total consciência deles!

Ao amado irmão que utilizou a palavra “Safado” para referir-se a minha pessoa:

É interessante observar que dos mesmos lábios donde brotaram várias palavras ásperas, dentre elas “safado”, veio também o discurso de que  “quem julga é o Diabo!”.  Digo porém que ao Diabo não cabe julgar, nunca foi dada a ele esta autoridade. Deus dotou o homem de consciência, e à Igreja deu poder sobre “as portas do inferno”, por que não daria autoridade para julgar aquilo que é ou não é condizente com a sã doutrina?

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” (João 7:24)

“E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?” (Lucas 12:57)

“Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?” (I Coríntios 6:2)

etc…

(Para uma dissertação bem mais rica acerca deste tema, recomendo a leitura deste post, no blog “Bereianos”)

dEle, por Ele e para Ele!!

Etiquetado
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 817 other followers