Posted in novembro 2009

Apesar de VOCÊS, amanhã há de ser outro dia!

Dentre todas as composições do Chico (permito-me esta intimidade, afinal, cresci ouvindo suas canções), creio que  a que mais me emociona, e não raras as vezes me leva as lágrimas, é “Apesar de Você”. Esta música fala (de forma velada, obviamente) de um dos períodos mais dolorosos e vergonhosos da história recente de nosso pais, a Ditadura Militar.

E o que esta época em que vivemos, de “liberdade” e “democracia”, tem a ver com aqueles 20 anos (1964-1984) de privação, vigilância e repressão? Mais ainda, o que tem a ver com o momento atual da Igreja?

Voltemos nossa atenção para os primeiros versos da música:

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.

O que vemos hoje? Quem são os líderes “evangélicos” com maior visibilidade no Brasil? Quem são os mais influentes, os que são vistos como “porta-vozes” dos “crentes” de nosso pais (alguns de fato, abraçaram este papel)? Estes que arrastam multidões em suas marchas e shows de fé(zes), não são os mesmos que espalham heresias? Não são estes que promovem doutrinas espúrias? Não são os que andam ensinando um outro evangelho?

Tais líderes não se dão ao trabalho de pegar em armas, pois tem a disposição seus próprios órgãos de repressão! Uma policia hipnotizada, soldados sem proposito, que mantém seus fuzis engatilhados, prontos para disparar rajadas de “não toquem nos ungidos”, “o julgamento cabe somente a ‘deus’ (sic)” ou bombas de efeito moral de “os críticos nada constroem”, etc…

É a lei da mordaça! Não podemos criticar, não podemos denunciar! Temos que falar a boca miúda, sob pena de sermos tachados como hereges, agentes demoníacos, etc…

A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?

O que o DOI-CODI gospel esquece é que o ministério dos profetas consistia em anunciar (a vontade de Deus) e denunciar (os absurdos dos homens)!

Assim como nos ditos “Anos de Chumbo”, hoje muitos são aprisionados , não mais nos porões da ditadura, mas na escuridão da ignorância, da alienação, da religiosidade, do legalismo, do egoismo, do distanciamento, etc…

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;” (Colossenses 2:8)

Este também foi o período do chamado Milagre Econômico (unção financeira??). Mas a que custo? Tivemos nesta mesma época alguns dos piores indicadores sociais da história do nosso pais!!

A despeito do aparente derrotismo dos primeiros versos, o refrão da música é uma expressão de esperança, uma declaração de fé no amanhã…

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar

Assim como o cantar do galo serviu como um anuncio do juízo de Deus, demonstrando a irrealidade da promessa de Pedro (Mateus 26:34), na musica este serve para exprimir uma justiça vindoura e  inevitável

Creio que o próprio Pedro  faria coro com Chico:

“E por avareza farão comércio de vós com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (II Pedro 2:3)

Não desejo a danação daqueles que pervertem a mensagem do Evangelho de Cristo, oro para que os que hoje se alegram com os bens granjeados através da propagação destas doutrinas malditas,  sigam as recomendações encontradas na carta de Tiago…

“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (Tiago 4:6-10)

Voltem a simplicidade do Evangelho!! Voltem-se para a doutrina inclusiva do amor de Jesus, que diz “vinde a mim”, e afastem-se das ideias exclusivas do “só recebe quem dá”!

Sinto-me como aquela juventude subversiva de outrora, que bradavam contra um regime que oprimia e matava! Estou ciente que existem outros que levantam suas vozes mais alto e melhor do que eu, mesmo assim, devo admitir, somos uma minoria…

Persisto porem, e insisto, pois minha esperança nunca morre (Salmo 71:5)!

Mesmo desafinado, junto minha voz a do Chico…

amanhã vai ser outro dia

amanhã vai ser outro dia

amanhã vai ser outro dia…

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Demonologia da Prosperidade

Vou inciar com pé na porta e tapa na cara (tou indignado!). A famigerada “Teologia da Prosperidade” (também conhecida como movimento da fé, confissão positiva, palavra da fé, etc… depende do ardil do camelô que estiver promovendo-a no momento) tem muito mais a ver com os salamaleques exotéricos da auto-ajuda e muito menos com a sã doutrina cristã. Escrevi um texto mais longo do que gostaria, rogo porem, por sua paciência, pois considero cada linha importante para compartilhar minha visão a respeito deste mal que envenena as mentes e os corações de milhares de pessoas ao redor do mundo.

Contextos Histórico e Sócio-Cultural

A paternidade deste movimento é comumente atribuída a Essek William Kenyon (24/04/1867 a 19/03/1948). Os ensinos de Kenyon, em particular a prática de vocalizar nossos desejos (poder da palavra), e a crença de que devemos “determinar” nossas “bençãos”, pois, “em nome de Gizuis (sic)” todas DEVEM ser concedidas. Mais a frente, veremos como tais expedientes, aparentemente corretos a luz das Escrituras, tem total aderência com práticas ocultistas.

Vendo através de um prisma sócio-cultural, este é mais um produto de exportação dos Estados Unidos da América, com todos os conservantes, corantes e adoçantes que tem direito. É alicerçada firmemente nos princípios do positivismo, auto-estima, determinismo, mentalização dos objetivos, etc… (próprios da auto-ajuda, como dito anteriormente) e nas ideias de “Winners” (vencedores ou “abençoados”) e “Losers” (perdedores ou “amaldiçoados que precisam ser libertos”). Nada mais yankee! Deus abençoe a América!

O cerne do ensinamento

Talvez seu mais importante postulado (ou “pustulado”, de pústula), seja o de que, nós como filhos do Deus altíssimo, devemos possuir os melhores empregos, os melhores carros, as melhores casas e uma saúde sobre-humana! A ausência de um destes fatores na vida do “crente”, segundo a lógica torta dos profetas de Mammon, é um indicativo de que o pobre coitado está em pecado ou debaixo de maldição.

Os ditos “teólogos” da prosperidade apoiam suas ideias quase que completamente nos livros do velho testamento (ardilosamente, omitindo o contexto). Deve-se tão somente a astúcia dos mercadores da fé, tal preferência pelos livros da antiga aliança, eles perceberam que nos relatos contidos ali, concessões de bênçãos materiais por parte de Deus eram bem mais frequentes, pois tais regalos, assim como a própria Lei, eram transitórios (Romanos 10:4, II Coríntios 3:11,13)! Cristo, em oposição a isto, nos concede dádivas bem mais preciosas (e perenes)!

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” (Mateus 6:19,20)

É bem fácil de observar a afinidade doutrinária entre a pedagogia dos adoradores do vil metal e a mensagem de empulhações gnósticas como “O Segredo”. Observem:

“A Lei da Atração é uma lei que existe. Não é porque não podemos vê-la que não podemos acreditar. Não importa se você saiba ou não da sua existência, de uma maneira ou de outra ela estará agindo em sua vida. Não é porque não a conhece direito que não possa usufruir suas propriedades maravilhosas. A Lei da Atração é um segredo que poucos desvendaram até hoje e o guardaram para si, por ser muito valioso. Está a sua disposição e poderá mudar sua vida se realmente perceber o poder que ela pode lhe proporcionar.”

Fonte: http://www.leidaatracao.com.br/

Uma pérola! Se trocarmos algumas poucas palavras dá até para encaixar no discurso de algum teólogo (lembrando que o  radical “teos” da palavra teologia vem de Deus, vou continuar chamando-os de teólogos apenas para facilitar a compreensão) da prosperidade! Vemos ai o apelo a ignorância (não é preciso entender, não examine as escrituras, “a letra mata”, diriam eles…) a importância que dão a fé (é preciso crer! Porem o alvo desta fé é a própria fé, não o autor e consumador da nossa fé! Fé não tem sustentação na própria fé) e a dogmatização de algo que foi revelado à alguns poucos “escolhidos” (o “o senhor me disse” em detrimento do “Assim diz o SENHOR” da Bíblia).

“Entre os grandes destaques está o Filme ‘O Segredo’ que através de uma linguagem simples apresenta como os homens mais famosos da humanidade conseguiram o sucesso e riqueza. Segundo Bob Proctor, ‘Este segredo dá a você tudo o que deseja, felicidade, amor, saúde, dinheiro, paz espiritual, não há nada que você não possa conseguir se aprender a aplicar o segredo em sua vida diária’”

Fonte: http://www.esoterikha.com/coaching-pnl/segredo-01.php

Lembro-me de que quem prometeu tudo não foi Deus (Mateus 4:9).

“O mais importante a se aceitar é que tudo ao seu redor nesse momento da sua vida, incluindo as coisas das quais você reclama, foi você unicamente você que atraiu. Finalizando ‘O SEU DESEJO É UMA ORDEM’.”

Fonte: http://www.fatimahborges.com.br/artigo.php?code=79

Seu desejo é uma ordem?? Como assim?? Deus por acaso, é uma espécie de gênio, aprisionado em uma lâmpada, esperando nossas ordens?

“Pedir o que se deseja. E para pedir você deve escrever, falar, sentir, imaginar, ouvir e ter gratidão, ai sim a lei da atração funciona…”

Fonte: http://www.fatimahborges.com.br/artigo.php?code=79

Mais uma vez, o conceito de verbalizar incessantemente os seus desejos. Os bruxos da prosperidade utilizam o nome de Jesus como uma palavra mágica, que ao ser pronunciada, leva todas as coisas a se dobrarem diante de suas vontades. No capitulo 6 do evangelho de Mateus, o Senhor ensina que isto não é necessário, muito menos desejável, sendo na verdade, uma prática reprovável.

O ouro e a prata do Pai

Já perdi a conta de quantas vezes já escutei esta frase, que virou uma espécie de bordão entre os evangélicos:

“Meu Pai é dono do ouro e da prata!”

Admito que fico sobremodo inquieto com esta afirmação, pois ela me remete imediatamente a parábola do filho pródigo (Lucas 15:11). Nesta, Jesus fala de um homem de posses que, em um belo dia, viu-se em uma situação delicada: Seu filho mais moço pediu o que lhe cabia na herança (ouro e prata???).

O pai amoroso, concedeu ao jovem sua herdade, e este tratou de lançar-se ao mundo, a fazer suas vontades e gozar dos prazeres desta vida. O resto da história é bem conhecido: O rapaz aprendeu, a duras penas, que mais valioso que o “ouro e a prata” é a presença e o amor do pai.

Agora, no que se baseia o tal “bordão” supracitado?

“Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.” (Ageu 2:8)

Vejam bem, esta é uma afirmação de Deus a respeito de Sua soberania (mais tarde, voltarei a falar desta)! Não quer dizer que todo o “ouro e prata” estejam a disposição de seus “filhos”.

“DO SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” (Salmo 24:1)

O que temos presenciado é uma mudança de fim: Do que concede a herdade, para a herdade, do que concede a benção para a “benção”.
O “ouro e a prata” tem se tornado a mais gorda vaca sagrada de grande parte dos “evangélicos” brasileiros… Infelizmente, todos os dias são forjados novos bezerros de ouro (e de prata)!

“Não fareis outros deuses comigo; deuses de prata ou deuses de ouro não fareis para vós.” (Êxodo 20:23)

O amor ao dinheiro (avareza) é de fato uma insidiosa forma de idolatria:

“Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;” (Colossenses 3:5)

Lendo o Salmo 23 percebo que estas mesmas pessoas animam-se com o “nada me faltara” e os “verdes pastos”, mas não agradecem pela “vara e o cajado” consoladores do Senhor. Eu, em oposição a esta postura, faço do Provérbio 30:8 minha oração:

“Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume;” (Provérbios 30:8)

A maioria dos “crentes” de nosso pais, que vivem dominados por este ideal de prosperidade, devem achar no mínimo absurdo este pedido: Que Deus mantenha-me com “porção de costume”…

- “Que heresia! Desejar ser um medíocre!”

Bradariam os “prospereiros” de plantão!

Que fique bem claro: Eu não rejeito as riquezas deste mundo, nem aconselho que ninguém o faça (advindas de fontes lícitas, obviamente)! Isto é burrice! Trabalho e procuro me aperfeiçoar no que faço! Vejo todos os feitos relacionados em Eclesiastes 2:4-10, e me parecem maravilhosos!

“Fiz para mim obras magníficas…”
“Fiz para mim hortas e jardins…”
“Adquiri servos e servas…”
“Amontoei também para mim prata e ouro…”
“E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei…”

etc…

Porem, o verso 11 me leva a refletir…

“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.” (Eclesiastes 2:11)

O que NÃO desejo é que todas as conquistas materiais me tornem vaidoso, que minha vida seja centrada em adquirir e acumular bens (Mateus 16:26), que eu passe a acreditar que estou mais próximo de Deus por conta deles, que sequer surja em minha mente a ideia de que eu posso dar a Deus algo em troca do Seu amor e do Seu zelo. Repito: A mensagem do Evangelho não é, e nunca foi acumular bens e riquezas terrenas…

“Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria.” (Provérbios 23:4)

Quando me pronunciei contra esta ideia de prosperidade, um irmão chegou a insinuar que eu estaria estimulando o “voto de pobreza”. Bem, não faço, nem nunca faria um voto desta natureza, porque no fundo não passa de uma forma de auto-justiça, uma maneira de se mostrar mais “puro” perante Deus mediante um sacrifício pessoal. Isto fere o principio da graça!

Jesus e Seu Reino

É bem provável que Jesus tenha passado a maior parte de sua vida exercendo o oficio de seu pai adotivo, sendo assim como José, um pobre carpinteiro. Ele, mesmo sendo possuidor de todas as coisas, por amor, fez-se pobre (II Coríntios 8:9), mesmo sendo o Senhor soberano, fez-se como servo (Filipenses 2:5-8).

O Jesus Deus, é o Senhor absoluto, dominador de todas as coisas, mas o Jesus homem, não tinha sequer onde aliviar o cansaço de seu corpo…

“E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mateus 8:20)

A razão para este desprendimento não se devia a uma excentricidade masoquista! Jesus havia de apresentar o Seu Reino! E o Seu reino não é deste mundo…

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.” (João 18:36)

Muitas pessoas já viam em Jesus um mero provedor de bençãos temporais (João 6:26)! Quando Jesus discursou severamente contra esta postura (João 6:60), muitos decidiram se afastar.

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele.” (João 6:66)

Eu chego a imaginar este dissidentes, comentando entre si:

- “Eu não seguirei um mestre, que diz ser filho do próprio Deus e nega-me um pouco de pão e peixe!”
- “Este é um falso mestre! Pois um mestre verdadeiro me daria do bom e do melhor!”

Nos dias de hoje, já presenciei contristado, absurdos como estes:

- “Eu sirvo a um ‘deus’ verdadeiro! Ele não me permitiria passar por esta dificuldade!”
- “O ‘deus’ que eu sirvo não me permitiria andar com um carro velho!”

Estas pessoas realmente creem que Deus deve algo a elas? O sacrifício de Jesus, que nos transportou do “império das trevas” para o “reino do Filho de Seu amor” (Colossenses 1:13) não foi suficiente?

Judas Iscariotes pensava como estas pessoas, ele não queria o Cristo que trouxe o seu reino espiritual! Ele queria um messias político, que estivesse disposto a pegar em armas e lutar contra o império romano… Judas também não compreendeu o que é o “Reino de Deus”.

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)

Edificando o Reino

Uma forma que as pessoas encontraram para tentar “santificar” o desejo carnal pela prosperidade é afirmar que tendo mais posses, poderão servir melhor a Deus. O próprio Cristo, ao comissionar seus doze discípulos, recomendou:

“Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.” (Mateus 10:9,10)

Pedro, não precisou de dinheiro no bolso para servir de instrumento do Espírito Santo de Deus na cura de um paralítico:

“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (Atos 3:6)

Digo que muitas coisas são necessárias para o serviço ao Reino de Deus…

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gálatas 5:22)

Dinheiro, definitivamente não figura entre elas!

Agora, não estou aqui, fazendo uma apologia a não contribuir (financeiramente, que seja) com a Igreja. Muito pelo contrário! Afirmo porém que, não é necessário ter uma gorda conta bancária para trabalhar pelo Reino!

Perder pelo Reino

A visão triunfalista imposta pela teologia da prosperidade não admite que um servo do Senhor sofra perdas (no âmbito material). No entanto, vemos que o relato bíblico nos mostra outra realidade.

Abraão (que na época ainda chamava-se Abrão), para evitar a contenda com seu sobrinho Ló, deixou-o escolher primeiro, quais as terras que desejaria habitar, correndo o risco de ficar com terras não tão boas:

“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda. E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do SENHOR ter destruído Sodoma e Gomarra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro.” (Gêneses 13:8-11)

Em concordância com Abraão, o apóstolo Paulo admoestou os coríntios a agirem da mesma forma:

“Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” (I Coríntios 6:7)

O próprio Paulo, sofreu pesadas perdas, deixou para traz a estabilidade e o conforto para viver como errante, peregrino pregador do evangelho.

“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,” (Filipenses 3:7,8)

“Pare de Sofrer”
é o slogan de um dos maiores baluartes da prosperidade dos dias de hoje… Acho que Paulo não frequentaria os templos desta denominação, pois:

“Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.” (II Coríntios 11:24-28)

Jesus não pediu para o Jovem Rico acumular mais riquezas, muito pelo contrário (Mateus 19:21) e Zaqueu que era um homem de muitas posses (Lucas 19:2) preferiu desfazer-se daquilo que havia adquirido fraudulentamente para seguir Jesus:

“E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.” (Lucas 19:8)

Atenção!! Zaqueu restituiria o quadruplo do que logrou desonestamente. Portanto, iria restituir aquilo que roubou com mais três porções adquiridas licitamente!

O propósito de Deus

Deus, não precisa da instrução nem do conselho de homem nenhum (Isaías 40:13,14), Ele é soberano! Nada pode frustrar os Seus propósitos (Isaías 43:13), nem conter o mover da Sua mão! Portanto, caso sirva aos seus propósitos, ele pode sim, conceder bens materiais!

Jó foi um dos homens mais ricos de sua época, e o Senhor o abençoava, mas isto não impediu que tudo aquilo que mais prezava desintegrar-se bem diante de seus olhos. Jó angustiou-se:

“Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei? Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse?” (Jó 13:11-12)

Jó lamenta, pranteia, vive sua dor! No ápice de seu sofrimento, Jó tenta sabatinar o Altíssimo. De fato, ele questiona Suas motivações para aquele infortúnio. Deus, do alto de sua soberania, não responde a Jó, ao invés disto, entrega-lhe uma série de outras perguntas.

“DEPOIS disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo: Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” (Jó 38:1-2)

Jó percebe sua miudeza perante Deus… E calou-se (Jó 40:4).

O nascimento de um filho pode aplacar a dor da perda de outro? Novos bens podem mesmo compensar todo o padecimento? O que realmente consolou o coração de Jó?

Em sua confissão final, Jó revela-se satisfeito, não pelas respostas (que não recebeu), nem pelas posses que o Senhor haveria de lhe restituir, mas pelo fato de ter se aproximado de Deus durante sua aflição!

“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.” (Jó 42:5)

Na Bíblia, existem relatos de pessoas as quais Deus de fato, lhes concedeu bens… Não a toa, não pelo desejo de seus corações ou por suas orações, mas por conta do Seu propósito! Joana foi uma delas…

“E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens.” (Lucas 8:3)

José de Arimateia foi um homem rico, não por ser mais justo, mais fiel ou por contribuir mais, uma profecia havia de se cumprir por meio dele (Mateus 27:57-60, Isaías 53:9)!

Advertências e profecias segundo a Bíblia

As maiores provas de que a confissão positiva é uma linha teológica perversa e anti-bíblica vem da própria Bíblia!

Pedro, em um verso de peso profético, adverte a Igreja a respeito dos falsos profetas, que utilizariam o bom nome de Jesus para adquirir vantagens.

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (II Pedro 2:3)

Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo faz uma dura advertência a respeito da busca incessante por riquezas e da idolatria ao dinheiro.

“Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (I Timóteo 6:8-10)

Alguns apegam-se as palavras escritas por Paulo a Igreja de Filipos (Filipenses 4:13), para tentar justificar a tese de que são “merecedores” de todas as coisas, ou que na condição de cristãos, adquiriram atributos de super-humanos. Todavia, basta ler o versículo anterior para entender que não é bem assim…

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.” (Filipenses 4:12)

Trocando em miúdos, Paulo, quis dizer: “Posso SUPORTAR todas as coisas em Cristo que me fortalece”

Pedro nos mostra, que o preço pago por nossas vidas não foi o do outro ou da prata…

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais,” (I Pedro 1:18)

Meus amados! Concluo o fiar deste novelo de ideias com um pedido: Faça uma reflexão sobre qual a verdadeira mensagem do Evangelho de Cristo.

Por amor dAquele que nos amou primeiro!

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Até Sangrar…

hemo-bolsa

No post anterior utilizei o adjetivo “sanguíneo” para definir o amor de Deus. Tarefa ingrata esta, de exprimir em palavras algo tão grandioso, tão sublime, tão tão, tão… Não consegui colher em meu canteirinho de flores do lácio algo mais forte. Explico:

 

 

 

  • Quando alguém é MUITO destemido ou MUITO instável emocionalmente, diz-se que “tem sangue no olho”;
  • Uma surra MUITO grande, é uma surra “até tirar sangue!” (percebam o limite máximo de uma grande surra!);
  • Imagina-se que um “pacto de sangue”, seja algo inviolável, incontestável, inquebrável;
  • Dizem que os “laços de sangue” são os mais estreitos;

Portanto algo “sanguíneo” é por natureza, algo MUITO forte!

Porem, palavras por mais pretensiosas que sejam, não conseguem exprimir a enormidade do amor de Deus… Isto letra nenhuma é capaz! Só gestos, ou melhor, Um gesto, executado pelo Verbo (palavra) que se fez carne:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Está consumado… Jesus sangrou por amor de nós! Glórias a Deus!

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A dor de cotovelo de Deus

Creio que até o mais sisudo dos religiosos não consegue ficar indiferente a poesia e a performance transpirante e apaixonada de Jacques Brel (este vídeo traduz melhor o que digo, pena que não possa ser embutido). “Ne Me Quitte Pas” foi composta após uma dolorosa separação entre Brel e Suzanne Gabrielle.

O compositor e interprete sussurra, no refrão que dá nome a sua canção…

Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Quase um pedido de socorro, quase uma oração…

Ah! A dor de cotovelo! Inspiração de muitos músicos e artífices das palavras! Por que machuca tanto?!? Ser abandonado, esquecido, deixado em segundo (ou terceiro) plano, ter seu amor não correspondido… Doi..

Dor de cotovelo tem a ver com impotência, com situações indesejáveis, que fogem ao nosso controle… Então, onde entra Deus nesta história?

A musica de Jacques Brel é visceral, passional, dolorida e por que não dizer, exagerada.

Assim é o amor de Deus! Desmedido, longânimo, sanguíneo, incondicional! Mesmo quando estávamos longe, mesmo quando eramos Seus inimigos, Ele nos amou! Nós somos o objeto do desejo do Altíssimo!

Em algumas ocasiões, o Todo Poderoso demonstrou, sem o menor pudor, sua dor, causada principalmente, pela indiferença daqueles que Ele tanto ama!

O Senhor concedeu a Ezequiel uma perda da qual não poderia prantear.

“Filho do homem, eis que, de um golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas.” (Ezequiel 24:16)

Deus permitiu a Oséias o pesar de presenciar a prostituição de sua esposa.

“E O SENHOR me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, contudo adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem os bolos de uvas.” (Oséias 3:1)

Na verdade, o Senhor deu aos profetas uma medida de Sua própria dor! A dor de ser traído, de ver o desejo de Seus olhos ser repentinamente tirado dEle…

Assim também, Jesus lamentou sobre Jerusalém…

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mateus 23:37)

Ah! Como Jesus desejou aconchegar seus filhos, aperta-los contra o peito, guarda-los… Amor e zelo não correspondido, dor de cotovelo… que dor…

O amor de Deus não é platônico! Muito pelo contrário, Ele sempre fez questão de demonstra-lo. E a declaração máxima deste amor foi feita na cruz, por Jesus!

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Não há medida para o amor de Deus! Ele criou a humanidade para ama-la, não para ser amado por ela! Isto não significa que no coração de Deus não exista o desejo de ter seu amor correspondido…

Creio que se por acaso, nos despirmos de todos os salamaleques religiosos, e imbuídos de toda a simplicidade que momentos como estes exigem, olharmos para o céu por uns instantes, talvez seja possível ouvir o Pai Celeste, cantando como que para a donzela amada no alto de um balcão:

Venha a mim filho amado!
Venha a mim filho amado!
Venha a mim filho amado!
Venha a mim filho amado!

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